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Trail running no Nordeste: Diogo Andrade analisa o cenário

Fundador da Triação debate o fomento do esporte na Bahia, o turismo esportivo e os desafios de eventos fora do Sul-Sudeste.

Diogo Andrade, sócio fundador da Triação Assessoria Esportiva, analisa a evolução do trail running na Bahia e no Nordeste. Em conversa com Sidney Togumi no Stemma Na Trilha, ele discute a profissionalização dos treinos, o potencial turístico regional e as barreiras que ainda limitam a circulação de atletas pelo país.

O ecossistema do trail running brasileiro frequentemente concentra holofotes e grandes contingentes no eixo Sul-Sudeste, onde serras tradicionais como a Mantiqueira e a Serra dos Órgãos ditam boa parte do calendário competitivo. No entanto, o cenário das corridas em trilha no Nordeste vive um momento de amadurecimento e expansão técnica. No comando da Triação Assessoria Esportiva há duas décadas em Salvador, Diogo Andrade detalha os caminhos que transformaram o estado da Bahia e a região Nordeste em polos ativos da modalidade.

A história da Triação reflete a própria evolução do mercado esportivo baiano: iniciada com foco na corrida de rua e no triatlo, a assessoria expandiu suas frentes para a natação em águas abertas no Porto da Barra e estruturou um núcleo específico de trail running. O movimento nasceu de forma intuitiva há mais de uma década, quando os primeiros grupos viajaram para disputar provas na Chapada Diamantina, e se consolidou como uma unidade de negócio estratégica.

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O crescimento das provas e o circuito nordestino

A Bahia e estados vizinhos estruturaram um calendário próprio de eventos com organização refinada e apelo cênico expressivo. Entre os principais destaques regionais está a Ultra Trail Chapada Diamantina (UTCD), sediada em Mucugê, que atrai atletas de diversos estados, além de etapas técnicas como a Serrinha Trail Run e circuitos que percorrem o Vale do Pati, o Vale do Capão e a Chapada Norte, em Jacobina e Itaitu.

Para além do território baiano, eventos como a Xingu Trail Run, disputada na região dos cânions em Canindé de São Francisco, em Sergipe, demonstram a diversidade geográfica disponível para a modalidade. Diogo Andrade pontua que os organizadores locais vêm elevando o padrão de entrega em quesitos essenciais como balizamento de percurso, segurança do atleta e suporte de trilha, acompanhando a exigência de corredores que já acumulam experiência em ultras nacionais e internacionais.

Trail running no Nordeste: Diogo Andrade analisa o cenário

O turismo esportivo e as barreiras de divulgação

Apesar das belezas naturais e do forte apelo turístico do Nordeste, o fluxo de atletas de montanha do Sudeste rumo às provas nordestinas ainda é inferior ao contingente que faz o caminho inverso. Diogo avalia que há uma lacuna na estratégia de comunicação de longo prazo por parte dos organizadores locais, que muitas vezes concentram a divulgação apenas no pós-prova imediato e perdem a oportunidade de sustentar a visibilidade do destino ao longo de todo o ano.

Outro aspecto debatido por Sidney Togumi diz respeito à percepção técnica de altimetria. No mercado do Sudeste, muitos corredores priorizam altimetrias acumuladas elevadas e percursos travados característicos de maciços rochosos como a Serra Fina. Provas nordestinas frequentemente entregam trechos mais rápidos, calor intenso e terrenos arenosos ou de dunas, o que exige ajustes tanto no marketing esportivo quanto na conscientização dos praticantes sobre a variedade de desafios técnicos do trail.

Da rua à trilha: método, segurança e gestão

Dentro da rotina da assessoria, a transição do asfalto para a trilha requer responsabilidade técnica e trabalho educativo. Na Triação, a base de clientes do trail cresceu de uma representatividade inicial de 5% para cerca de 15% do quadro total, com treinos específicos quinzenais que demandam deslocamentos até locais como o Morro de São José, em Maragojipe, a cerca de duas horas de Salvador.

Diogo Andrade ressalta a importância de o treinador atuar com firmeza pedagógica na recomendação de distâncias, desestimulando inscrições precipitadas em percursos longos antes da consolidação de volume e adaptação neuromuscular. Para o treinador, a assessoria esportiva moderna precisa operar com processos claros, equipes multidisciplinares e leitura de perfil comportamental do aluno, superando o antigo modelo informal.

Comemorando 20 anos de trajetória — marco registrado no livro Triação 20 Anos: Sonhos, Corridas e Negócios, de autoria de Augusto Cruz —, a empresa consolida sua maturidade institucional com a parceria oficial com a Adidas Brasil, demonstrando como o mercado esportivo do Nordeste atrai o reconhecimento de marcas globais por meio de gestão profissional e engajamento comunitário.

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