SP City Marathon em foco e o giro completo de notícias Stemma
Recorde de participantes na Nike SP City, inteligência artificial na Maratona de Sydney e um olhar sobre o mercado de corrida no Brasil.
A edição da Nike SP City Marathon em São Paulo registrou um crescimento de 31% no número de concluintes, consolidando-se como uma das maiores provas do país. Outro destaque é a Maratona de Sydney, que investe em preparação mental com IA. No Brasil, o Strava eleva o país a prioridade global, enquanto a Olympikus anuncia nova leva de atletas no projeto Corre do Amanhã.
A mais recente edição da Nike SP City Marathon agitou o cenário da corrida de rua em São Paulo, e nós estávamos lá para conferir de perto. A prova demonstrou uma nova fase, com mais de 32.000 inscritos e impressionantes 28.113 concluintes nas modalidades de maratona e meia maratona. Esse número representa um crescimento de 31% em relação ao ano anterior, um dado que reforça a paixão crescente pela corrida no Brasil.
Na maratona, os atletas brasileiros brilharam. Maria Aparecida Ferraz conquistou sua primeira vitória na distância com um tempo de 2h42min19s, enquanto Gilmar Lopes levou o título masculino em 2h16min34s, marcando um retorno triunfal aos 42km após três anos. Gilmar protagonizou uma chegada emocionante, com um sprint decisivo nos metros finais. Já na meia maratona, os etíopes Tsegaye Asefa (1h16min59s) e Alemu Ragassa (1h04min15s) foram os vencedores. Um detalhe curioso sobre Maria Ferraz: ela correu a maratona inteira sem meias, uma particularidade justificada por um desconforto no calcanhar que, para ela, era amenizado sem o acessório.
A organização da Nike SP City, como já é tradição, recebeu elogios. A largada por ondas ajudou a gerenciar o grande volume de corredores, embora alguns trechos tenham apresentado gargalos temporários. A Expo foi destacada pela fluidez na retirada de kits e a estrutura de banheiros pela quantidade e acessibilidade. As ativações da Nike ao longo do percurso, com placas motivacionais e zonas de DJ, contribuíram para uma atmosfera festiva e descontraída, tornando a prova, que é naturalmente desafiadora, mais leve para os participantes. A prova de São Paulo, porém, ainda não alcançou os números da Maratona de Porto Alegre da Olympikus, que registrou 30.500 concluintes, sendo a quarta maior prova do Brasil em número de atletas.
Estrutura Médica e Segurança em Foco
Apesar do sucesso geral, a edição foi marcada pelo falecimento de Júlio Barreto, de 50 anos, após concluir a meia maratona. O ocorrido ressaltou a importância da estrutura médica em eventos esportivos. A Dra. Ana Paula Simões, diretora médica da SP City Marathon, explicou em entrevista ao Stemma Sports que a operação se baseia em três frentes: postos fixos (três na arena), uma rede de recursos móveis (15 estações de apoio, seis ambulâncias e seis motos médicas) e uma central de regulação médica que coordena tudo em tempo real. A estrutura é planejada seguindo diretrizes da World Athletics e da Confederação Brasileira de Atletismo, com acompanhamento dos casos graves mesmo após o evento.
O caso de Júlio Barreto impulsionou o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, a criar um grupo de trabalho para elaborar um protocolo municipal de segurança e saúde para corridas de rua. Essa iniciativa se alinha com o projeto Corrida Segura, da Abracel, que defende a criação de parâmetros técnicos para garantir a segurança dos participantes, sem prejudicar o crescimento do esporte. A conscientização sobre exames médicos pré-participação e a importância do acompanhamento profissional são pontos cruciais dessas discussões.
Maratona de Sydney: Preparação Mental com IA
A Maratona de Sydney, a mais nova integrante das Abbott World Marathon Majors, inova ao oferecer aos seus 40.000 participantes um programa de preparação mental com inteligência artificial. Faltando seis semanas para a prova, marcada para 30 de agosto, os corredores terão acesso à plataforma Marathon State of Mind, desenvolvida pela ex-atleta olímpica Eloise Wellings e o pesquisador Hory Darkness. O sistema cria estratégias personalizadas para lidar com ansiedade, insegurança e a vontade de desistir, incluindo encontros ao vivo, sessões individuais e até mensagens de áudio com orientações durante pontos específicos do percurso. A organização investiu mais de 60 milhões de dólares australianos (cerca de R$ 215 milhões) nessa iniciativa, mostrando que o futuro da corrida também passa pelo treinamento da mente.
Brasil é Prioridade Global para o Strava
Em entrevista à Época Negócios, Louise W, diretora global de marketing do Strava, revelou que o Brasil se tornou o segundo maior mercado da plataforma no mundo, sendo agora uma prioridade global. Esse crescimento se deve à explosão das corridas de rua, ao fortalecimento das "running crews" e ao comportamento dos brasileiros de praticar esporte em grupo e compartilhar experiências. No último ano, o número de clubes de corrida cadastrados no Strava cresceu oito vezes, e as mulheres da Geração Z são o grupo que mais cresce. O desafio para a empresa é desenvolver novas funcionalidades, muitas baseadas em IA, para um público apaixonado, mas criterioso na hora de pagar por assinaturas.
Ritmo por Idade: Menos Lento do que se Imagina
Uma reportagem da Runners World, com dados da Garmin, Coros e Strava, investigou como o ritmo de corrida varia com a idade. A conclusão é que, embora o pace diminua com o tempo, a diferença é menor do que se imagina. Segundo a Garmin, o ritmo médio passa de 5min46s/km (20-29 anos) para 6min27s/km (60-69 anos), uma diferença de apenas 41 segundos por quilômetro em quatro décadas. A Coros registrou uma queda maior, de 5min35s/km para 7min13s/km nas mesmas faixas etárias. Já o Strava apontou médias de 6min10s/km para a Geração Z, 6min06s/km para Millennials, 6min19s/km para a Geração X e 6min57s/km para os Baby Boomers. A matéria ressalta que fatores como experiência, condicionamento, nutrição, recuperação, genética e percurso também influenciam o desempenho. A média mundial de pace é de 5min49s/km para homens e 6min20s/km para mulheres.
A Busca por Danielzinho
A família de Daniel Ferreira do Nascimento, o "Danielzinho", recordista sul-americano da maratona, e a comunidade do atletismo seguem mobilizadas em busca de informações sobre seu paradeiro. Danielzinho está desaparecido desde 19 de junho. A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) também divulgou um apelo, pedindo que qualquer informação seja repassada à família ou à Polícia Civil. O atleta já teve sua carreira marcada por um caso de doping, e a comunidade torce por seu retorno.
Olympikus Completa Equipe do 'Corre do Amanhã'
A Olympikus anunciou seis novos atletas para o projeto Corre do Amanhã, completando a primeira turma da iniciativa em parceria com o Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima. Agora, dez jovens corredores, selecionados em seletivas por todo o país com base em ranking, marcas pessoais e histórico, treinarão em um centro de alto rendimento em Campinas a partir de agosto. Os novos nomes são Emily Laiz Pereira Santos (BA), Tailane da Silva Mota (MA), Yasmin Nogueira Ferreira (RS), Emanuel Rodrigues Garcia (GO), Vitor Apolinário Benício (PB) e Cauã Mendes Firmino (SC). Sob o comando do treinador Ricardo D'Angelo, eles terão acesso a acompanhamento médico, psicológico, nutricional e social, além de alojamento, bolsa de estudos e suporte para o desenvolvimento esportivo. O projeto representa um investimento de longo prazo, possível graças à conjunção de fatores na Vulcabras, como a visão do acionista Pedro Bartelli e a gestão de Márcio Calage, que permitem apostar no futuro do atletismo.
Mizuno Wave Rider Chega à 30ª Geração
A Mizuno lançou o Wave Rider 30, a nova geração de um de seus modelos mais tradicionais, que celebra três décadas de história. O tênis apresenta 17% mais amortecimento no calcanhar, 15% mais retorno de energia no antepé e uma placa Wave que percorre toda a extensão do solado. As mudanças visam aumentar o conforto, a estabilidade e a fluidez da passada. O modelo, que antes era conhecido como Pro Runner no Brasil devido a um bloqueio de nome pelo chinelo Rider, está à venda por R$999,99 e ganhou uma edição comemorativa inspirada no primeiro Wave Rider, com as cores preto, branco e vermelho. O design foi bem recebido, e o tênis está mais confortável e responsivo, posicionando-o como uma forte opção no segmento.
Nike inova com Chinelo de Recuperação
A Nike apresentou o Air Zoom Hyper Slide, um chinelo desenvolvido em parceria com a Hyper Ice para acelerar a recuperação muscular. O modelo combina amortecimento Air Zoom com um módulo magnético que oferece três níveis de aquecimento (até 47°C) e três níveis de vibração, controlados pelo próprio dispositivo ou aplicativo da Hyper Ice. Desenvolvido a partir de testes com atletas profissionais, o chinelo promete aliviar a tensão nos pés após treinos, competições, viagens ou longos períodos em pé. O lançamento está previsto para 29 de setembro, com preço sugerido de US$199.99.
Marcas de Esporte Apostam em Lojas Físicas
A tendência de marcas de esporte investirem em lojas físicas ganha força no Brasil. A On Running inaugurou sua primeira loja brasileira no Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, com um espaço que oferece o catálogo completo, área para experimentar tênis de corrida, equipe especializada e um clube de corrida. Em breve, abrirá outra unidade no Morumbi Shopping e uma terceira no Rio de Janeiro. A Under Armour segue o mesmo caminho, abrindo sua primeira loja própria (fora de formato outlet) no Shopping Vila Lobos em outubro, que funcionará como um "laboratório" para entender o consumidor brasileiro. Essa mudança de estratégia, após anos de foco em e-commerce e multimarcas, visa oferecer experiências, criar comunidade e estreitar a relação com os corredores, algo que lojas como Asics e Mizuno já exploram com espaços conceito e estações de corrida.
Garmin Lança Pulseira Inteligente Sem Tela
A Garmin expande seu portfólio com a Circa, uma pulseira inteligente sem tela focada em monitoramento. O dispositivo acompanha frequência cardíaca, sono, estresse, temperatura da pele, recuperação, Body Battery e mais de 80 atividades físicas, com autonomia de bateria de até 10 dias. A pulseira pode ser usada no pulso ou no braço durante todo o dia e integra-se ao aplicativo Garmin Connect. Ao contrário de concorrentes como a Whoop, a Garmin Circa não exige assinatura mensal. Sua única limitação é que a precisão do GPS durante atividades depende da conexão com um smartphone, não oferecendo a mesma autonomia de um relógio com GPS integrado. O preço sugerido é de US$199.99.
Asics e o Desempenho no Mercado Financeiro
Nos últimos três anos, a Asics se destacou como a fabricante de artigos esportivos com o melhor desempenho no mercado financeiro, enquanto a Nike viu seu valor de mercado cair cerca de 62% no mesmo período. A explicação está no boom do running: os tênis inspirados na corrida ganharam espaço entre consumidores e investidores. A Nike, por sua vez, está trabalhando para recuperar terreno, acelerando sua divisão de performance, com cinco trimestres consecutivos de crescimento de dois dígitos na categoria running, adicionando cerca de 1 bilhão de dólares em vendas e reconquistando o mercado na Europa e América do Norte. Esse movimento ilustra a natureza cíclica da preferência dos consumidores e do mercado acionário no setor esportivo.
10 Milhas Garoto Bate Recorde de Inscrições
A 10 Milhas Garoto, prova tradicional no Espírito Santo, bateu recorde de inscrições para sua edição de 27 de setembro, com as 20.000 vagas esgotadas em apenas 14 horas. A prova, que pela primeira vez conquistou o selo da World Athletics, certificando sua qualidade técnica, já está aquecendo o clima com a Arena 10 Milhas Garoto em Vitória. O espaço oferece atividades gratuitas para corredores e famílias, incluindo treinos funcionais, aulas de dança, desafios esportivos e distribuição de chocolates, tudo para celebrar o esporte e a comunidade.
Badwater 135: A Ultramaratona que Brinca com a Mente
A Badwater 135, considerada uma das ultramaratonas mais difíceis do planeta, voltou a testar os limites dos atletas. O brasileiro Pepe Fiammotinghi concluiu os 217 km da prova, mesmo enfrentando forte desconforto físico nos quilômetros finais. Sem conseguir se alimentar ou hidratar adequadamente por cerca de 170 km, Pepe chegou à subida final do Whitney Portal com baixos níveis de açúcar e sal, resultando em alucinações durante a madrugada. Em seu relato, ele compartilhou que a única coisa que o mantinha em frente era a faixa branca da estrada e resumiu a experiência com a frase: "Nunca desista, apenas continue". Pepe, que havia corrido a Comrades Marathon como preparatório, demonstrou uma resiliência impressionante, enfrentando visões nas pedras e até mesmo recorrendo a banhos de gelo sem água para maximizar o resfriamento.
Mike Welcis: 60 Anos e Recorde Pessoal na Maratona de Boston
A história do norte-americano Mike Welcis é um exemplo de que a idade não é um limite para a evolução no esporte. Aos 60 anos, Mike acaba de bater seu recorde pessoal na Maratona de Boston, com um tempo de 2h48min16s. Ele retomou a corrida aos 55, após 30 anos afastado devido a uma lesão no joelho. Desde então, completou 12 maratonas e melhorou seu tempo em nove delas. Mike atribui essa evolução a três fatores: treino de força, corrida em grupo e progressão gradual da carga. Sua jornada é uma inspiração para muitos, mostrando que, com a abordagem correta, é possível continuar melhorando o desempenho esportivo em qualquer idade.