Curated
Voltar S @stemma 5 min de leitura
sports

Musculação no Triathlon: Guia para Performance e Prevenção

Desvende como o treino de força pode te fazer mais rápido e resistente na água, na bike e na corrida.

Renan Maza, especialista em educação física e atleta, desmistifica a musculação para triatletas. Descubra a importância do treino de força para melhorar sua performance e prevenir lesões no triathlon, sem medo de ficar lento ou pesado. O episódio do Café com Tri traz dicas essenciais sobre volume, intensidade e periodização, mostrando como integrar o treino de força na sua rotina de endurance.

O episódio do Café com Tri, com os hosts Beto Nitrini e Sérgio Magalhães (o Vagnão esteve ausente, ocupado em Boulder!), recebeu o especialista Renan Maza para uma conversa descontraída e informativa sobre a musculação no triathlon. Beto Nitrini abriu o papo compartilhando sua experiência na SP City Marathon, ressaltando o respeito que a distância impõe e as "mágicas" que alguns atletas parecem fazer, lembrando o famoso "Golpe por Milha" de Roberto Abrão. O principal tema, no entanto, foi desmistificar a musculação, que, segundo Sérgio, é como o ovo: “ora pode, ora não pode”. Renan Maza, bacharel em educação física, personal trainer e atleta experiente em diversas modalidades, incluindo kickboxing e maratona, trouxe insights valiosos sobre como o treino de força pode ser a chave para otimizar a performance e evitar lesões para triatletas.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

A Musculação como Pilar para Atletas de Endurance

Renan Maza enfatiza que a musculação deve ser vista como a atividade de base para qualquer esporte. Ela cumpre uma dupla função crucial para atletas de endurance:

  • Prevenção de Lesões: Ajuda a suportar as demandas físicas do treinamento intenso, preparando o corpo para o estresse repetitivo das longas distâncias.
  • Potencialização da Performance: Melhora as capacidades físicas necessárias para um desempenho superior. Um atleta mais forte consegue aplicar mais força no gesto esportivo, o que se traduz em mais velocidade. Além disso, o treino de força aumenta a durabilidade, permitindo que o atleta mantenha o desempenho por mais tempo com menor esforço relativo e desgaste.
Musculação no Triathlon: Guia para Performance e Prevenção

Para modalidades específicas, como o trail running, exercícios de força como saltos podem atenuar o impacto nas descidas e potencializar as subidas, tornando o atleta mais seguro e eficiente.

Desmistificando Mitos: Massa Muscular e Ritmo

Um dos maiores medos dos triatletas é o de ganhar muita massa muscular e, consequentemente, ficar mais lento ou pesado. Renan esclarece que ganhar massa muscular significativa é um processo difícil e que a lentidão está mais relacionada à forma como o treino de força é executado do que ao aumento de peso em si. O foco deve ser em intensidade com baixo nível de fadiga.

Uma rotina eficaz, segundo Renan, pode ser tão simples quanto: duas vezes por semana, com quatro a cinco exercícios (dois para membros superiores, dois a três para inferiores ou core), em duas a três séries, totalizando apenas 40 a 45 minutos de treino. O segredo é treinar com intensidade para fazer força, mantendo o grau de fadiga baixo para não comprometer os treinos de endurance seguintes.

Quando e Como Integrar o Treino de Força

O ideal seria realizar o treino de força em um período diferente do treino específico de endurance (por exemplo, força pela manhã, endurance à tarde), mas a realidade do triatleta nem sempre permite. Uma boa alternativa é fazer a musculação logo após o treino de endurance, com um breve intervalo para alimentação. A escolha do dia também importa: fazer em um dia de treino leve pode favorecer a performance na força, mas pode acumular fadiga. Fazer em um dia de treino intenso pode permitir descanso no dia seguinte.

Quanto aos exercícios, a prioridade deve ser para movimentos multiarticulares, que envolvem várias articulações e grupos musculares simultaneamente, como o agachamento, o levantamento terra e exercícios de puxar e empurrar. Estes são mais eficientes, otimizam o tempo e geram maior transferência de força para o gesto esportivo, em contraste com exercícios isolados que podem gerar fadiga excessiva em um único músculo sem benefício funcional.

A Importância da Pliometria e do Core Training

Nem todo treino de força precisa ser feito na academia com pesos. Movimentos específicos do esporte, como as subidas e descidas em trilhas, já são formas de treino de força. Para complementar, Renan destaca:

  • Pliometria: Essencial para atletas de endurance. Consiste em exercícios que trabalham o ciclo alongamento-encurtamento, focando na força de reação (ex: cair de uma caixa e saltar, como os treinos de Lance Armstrong). Melhora a capacidade de reação ao solo, a economia de movimento e o controle articular, sendo crucial para correr mais rápido e atenuar a carga.
  • Core Training: Primordial para a sustentação e estabilidade. O core não é apenas abdômen e lombar, mas um “cilindro” que inclui diafragma e assoalho pélvico. A melhor forma de treiná-lo é em exercícios em pé e compostos, como agachamentos e levantamentos terra, ativando o assoalho pélvico e controlando a respiração, o que gera uma ativação muito maior do que abdominais isolados.

Elásticos, por outro lado, são mais indicados para aquecimento ou fisioterapia, pois sua demanda de força é baixa e a resistência é maior no final do movimento, o que não se alinha à necessidade de força explosiva no início do gesto esportivo.

Intensidade e Periodização Inteligente

Em vez de focar apenas em cargas elevadas, Renan sugere treinar com máxima intenção de velocidade em cada repetição, mesmo com cargas leves a moderadas. Isso desenvolve a força sem gerar a fadiga excessiva associada a muitas repetições ou cargas máximas, permitindo que o atleta trabalhe a resistência nos treinos específicos de endurance. O ideal é fazer poucas repetições (4 a 8) com a maior velocidade possível, sempre mantendo repetições em reserva.

A periodização do treino de força pode ser feita em blocos mais curtos (6 a 12 semanas), com progressão de carga e complexidade dos exercícios, em vez de ciclos longos e fixos. O objetivo é aprimorar constantemente a capacidade de aplicação de força, adaptando o treino às necessidades do atleta.

Constância é a Chave

Os erros mais comuns são treinar com pouca intensidade ou muito lentamente, sem buscar a velocidade de movimento. Quanto aos idosos, o foco não é levantar grandes cargas, mas sim desenvolver velocidade para ter uma melhor capacidade de reação, crucial para prevenir quedas. A musculação após os 40 anos se torna indispensável. A ideia de que mulheres devem treinar de forma drasticamente diferente dos homens é um mito, embora haja particularidades. Alongamento não substitui musculação.

Sobre a integração com modalidades como CrossFit ou Hyrox, Renan adverte que o alto volume e intensidade dessas atividades podem conflitar com a performance no triathlon se o objetivo é se destacar em ambas. É necessário encontrar um equilíbrio e priorizar. A mensagem final é clara: constância é mais importante que o volume. Pouco treino, feito regularmente, trará mais benefícios do que sessões esporádicas e intensas.

A conversa com Renan Maza reforça que a musculação é uma aliada poderosa do triatleta, capaz de transformar a performance e garantir uma jornada esportiva mais segura e duradoura. Portanto, se você ainda não incluiu o treino de força na sua rotina, agora é a hora de começar – com inteligência e constância.

Para mais informações sobre o trabalho de Renan Maza e como otimizar seu treino de força, você pode procurá-lo em suas redes sociais (@renan_h_maza) ou na ID Endurance (@id_endurance).

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250