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Muito além da planilha: Humberto Graciano e a performance integral

Conheça a jornada do treinador, atleta e estudioso que une neurociência, farmácia e esporte em uma visão única sobre o alto rendimento.

Humberto Graciano, convidado do XTREMMA Sports, revela como sua trajetória no esporte e o estudo em diversas áreas moldaram uma abordagem holística para a performance. Ele compartilha desde sua infância ativa, passando pelas corridas de aventura, até a aplicação da ciência na superação de desafios como o Last Man Standing. Uma conversa inspiradora sobre mentalidade e a importância da autopercepção no treinamento.

No mais recente episódio do XTREMMA Sports, a apresentadora Shubi Guimarães recebe Humberto Graciano, uma figura multifacetada no cenário do endurance brasileiro. Treinador, atleta de alta performance e profundo estudioso — com formação em Educação Física, Neurociência e, mais recentemente, Farmácia —, Humberto desvenda como seu conhecimento vai muito além da prescrição de treinos, mergulhando na complexidade do corpo e da mente para otimizar o desempenho esportivo.

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De um Começo Inusitado ao Esporte

A infância de Humberto, embora ativa com patins, skate e bicicleta nas ruas do Morumbi, não foi marcada pelo esporte formal. Seu pai, um ex-jogador de futebol habilidoso, nunca o incentivou diretamente nesse caminho. O primeiro contato com a atividade física estruturada veio através do projeto social Meninos do Morumbi, uma ONG de percussão. Foi lá, por volta dos 12 anos, que Humberto teve suas primeiras experiências com o atletismo e, mais tarde, com a musculação, que o ajudou a ganhar estrutura física para os instrumentos e o corpo, despertando seu interesse pela Educação Física.

Muito além da planilha: Humberto Graciano e a performance integral

A Virada para o Endurance e as Corridas de Aventura

Ainda estudante, um encontro mudaria sua trajetória. Ao ver Alexandre Chadi, um triatleta amador renomado, correndo, Humberto teve um "clique". Inicialmente focado na musculação, ele percebeu um universo de performance que o fascinou. Essa imersão no endurance se aprofundaria com o advento das corridas de aventura. Por meio da amizade com Chiquito, um atleta de corridas extremas, Humberto foi jogado, sem saber, em uma prova XUAS de 300 km. Equipado com uma mochila escolar, uma bicicleta emprestada e um capacete de Carrefour, ele se viu perdido e teve que usar a mente para superar o desafio, o que forjou seu caráter e sua visão sobre a resiliência humana. "Problemas são problemas, mas a corrida de aventura amolda caráter", pontua Shubi, corroborando a importância dessas experiências extremas.

Desafiando Paradigmas: O Treinador Multidisciplinar

Após se formar, Humberto decidiu não se especializar em uma única modalidade. Contrariando a ideia de que um treinador deveria focar apenas em corrida ou ciclismo, ele optou por treinar "atletas" – pessoas com uma mentalidade de performance, independentemente do esporte. Para ele, "os melhores atletas, independentemente da modalidade, tinham a mesma cabeça: resolvem seus próprios problemas, não culpam fatores externos". Essa percepção o levou a buscar mais conhecimento, fazendo pós-graduação em fisiologia do exercício, treinamento desportivo, e aprofundando-se em neurociência e farmacologia. Sua abordagem se baseia em "treinar como um todo", integrando diversas valências físicas e mentais, em vez de fatiar o treinamento por partes. Ele critica a limitação de pós-graduações muito específicas, defendendo uma visão mais ampla e integrada do corpo e da mente.

Ciência, Mentalidade e os Noruegueses

A conversa aborda o sucesso de atletas como os noruegueses no endurance. Para Humberto, a diferença reside na cultura, no sistema de treino (focado na Zona 2), e na forma como a ciência é absorvida e aplicada pelos treinadores. "No Brasil, o sistema de educação é muito falho, e isso se reflete na compreensão básica de conceitos como VO2 máximo ou FTP", observa. Ele destaca a importância do modelo mental: atletas de alto rendimento assumem a responsabilidade por seus resultados, enquanto outros tendem a culpar o treinador, a planilha ou as condições externas. Sua incursão em neurociência revelou a conexão profunda entre comportamento, mente e performance, ressaltando o impacto da microbiota e do eixo intestino-cérebro na saúde mental e física.

Last Man Standing: A Prova que Testa Limites

Um exemplo prático da filosofia de Humberto foi sua participação no Last Man Standing, uma ultramaratona de 24 horas onde os atletas correm em um circuito repetitivo. Convidado com apenas 20 dias de antecedência, Humberto não era um corredor de volume. No entanto, sua base de força, potência e seu conhecimento em nutrição e farmacologia foram cruciais. Ele detalhou como administrava sua suplementação (magnésio, carboidratos, potássio, sódio) e mantinha estratégias mentais para seguir em frente. "Eu não treino corrida, mas faço treino de movimento", explica, referindo-se aos 19-20 mil passos diários que acumula em seu trabalho, o que constrói uma sólida base aeróbica. Sua capacidade de "viajar" mentalmente durante a prova, usando gatilhos mentais e filosofias de vida, foi fundamental para não desistir, mesmo estando entre atletas com muito mais volume de corrida. Shubi concorda, revelando sua própria preferência por corridas de montanha, onde o contato com a natureza e a atenção plena ao corpo se tornam parte do treino.

A Pergunta Essencial para o Treinador

Ao final da conversa, Humberto compartilha um conselho valioso para atletas: ao procurar um treinador, pergunte "em qual momento eu estou e o que eu preciso fazer?" em vez de "o que eu quero fazer?". Ele enfatiza a humildade e a autopercepção como chaves para o sucesso, reconhecendo que muitos atletas já passaram por várias experiências e precisam aceitar o processo e as orientações para evoluir, especialmente em um mundo onde a gratificação instantânea prevalece sobre a construção a longo prazo.

Humberto Graciano, que compartilha seu conhecimento em seu Instagram @EliteStopTeam, convida à troca de informações e à quebra de egos no universo da educação física, onde a colaboração entre profissionais pode impulsionar o desenvolvimento do esporte no Brasil.

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