Miguel Hidalgo avalia temporada e impacto da fadiga
Após quatro meses difíceis e queda de rendimento pós-doença, triatleta analisa o quinto lugar no ranking mundial.
Em conversa franca, o triatleta brasileiro Miguel Hidalgo fez um balanço dos desafios enfrentados no segundo semestre. Ele explicou como problemas de recuperação e perda de consistência nos treinos afetaram seu desempenho nas etapas decisivas do circuito mundial.
A consistência é o pilar fundamental nos esportes de endurance, e qualquer oscilação física pode custar caro no mais alto nível do triathlon mundial. Em um relato sincero sobre a reta final do circuito, Miguel Hidalgo avaliou as dificuldades enfrentadas ao longo da temporada, marcada por problemas de recuperação que limitaram seu rendimento nas principais competições do ano.
O brasileiro vinha construindo uma base sólida de treinos até maio, período em que conquistou resultados expressivos — incluindo dois pódios e um quinto lugar entre maio e o início de junho. No entanto, um quadro de doença antes da etapa da WTCS em Londres desestabilizou sua rotina e comprometeu sua capacidade fisiológica de regeneração.
Quatro meses de batalha contra a fadiga
Segundo Miguel, o período seguinte foi o mais desafiador de sua carreira. Se habitualmente ele se sente bem em mais de 90% dos dias de treino, o cenário se inverteu: nos últimos quatro meses, em cerca de 90% do tempo as sensações foram ruins, exigindo um esforço mental constante para manter o otimismo nas sessões diárias.
O desgaste acumulado e a falta de resposta do corpo levaram o atleta a cogitar interromper a temporada mais cedo para reiniciar a preparação. A decisão final, porém, foi estender o calendário por mais um mês. A gordura acumulada nos primeiros meses do ano garantiu que ele fechasse o campeonato na quinta colocação geral, após ter sido vice-campeão na temporada anterior.
A relação entre treino, fisiologia e confiança
Para Miguel Hidalgo, a confiança na linha de largada é reflexo direto do trabalho executado nos treinos. No triathlon de elite, o aspecto fisiológico dita quase a totalidade do desempenho, deixando pouca margem para compensações puramente psicológicas quando o volume e a intensidade de treinamento são comprometidos.
Com a perda de semanas cruciais de preparação, competir contra os melhores do mundo tornou-se uma tarefa ainda mais dura. Mesmo enfrentando adversidades adicionais na prova — como um problema mecânico em que a corrente da bicicleta caiu e travou no quadro —, Miguel destacou que entregou o máximo possível diante das limitações físicas acumuladas no segundo semestre.