Marina Richwin: da carreira corporativa à elite da maratona
Ex-executiva e mãe de dois filhos conta como migrou para a alta performance na corrida de rua após os 35 anos.
Marina Richwin relembra sua trajetória pelos esportes de aventura e pelo mercado corporativo antes de focar na corrida de rua. Hoje entre os principais nomes da maratona brasileira, ela detalha sua rotina de treinos, o sonho olímpico e os desafios do esporte de alto rendimento.
A trajetória de Marina Richwin no esporte de alto rendimento não seguiu a rota tradicional da maioria dos atletas profissionais. Antes de se consolidar como a principal maratonista do país na atualidade, com marcas na casa de 2h36, ela construiu uma carreira de mais de 15 anos no mercado corporativo, passou por empresas como Mercedes-Benz, Banco Itaú, Specialized e Nike, e viveu a maternidade com a chegada dos filhos Thomas e Matias.
Das corridas de aventura ao teste no asfalto
O contato com o esporte começou ainda na infância em Lorena, interior de São Paulo, passando por diversas modalidades. Aos 15 anos, durante um intercâmbio nos Estados Unidos, Marina teve a primeira experiência competitiva no atletismo ao disputar provas de 3.000 metros no Oregon. De volta ao Brasil, ingressou na faculdade de Administração na FAAP e começou a competir em corridas de aventura com o apoio da assessoria Núcleo Aventura, liderada por Cris Carvalho, além de disputar provas de mountain bike, ciclismo de estrada e meio ironman.
A virada de chave para a maratona aconteceu aos 36 anos. Mesmo sem uma rotina focada exclusivamente na performance, Marina completou a Maratona de Berlim em 2h53. O resultado indicou que havia margem para evolução caso dedicasse tempo integral aos treinos, o que a motivou a deixar a posição corporativa na Nike para testar seus limites no asfalto.
Treinamento específico e percepção corporal
Sob a orientação do treinador Ricardo Zuniga, da assessoria The Run, e com acompanhamento nutricional da Fuca, Marina passou por uma reestruturação técnica completa. A preparação envolveu testes de limiar e zonas de frequência, treinos com ritmos controlados e abandono de outras modalidades para evitar dispersão de energia.
O volume semanal foi ampliado de forma progressiva até atingir cerca de 120 km nos períodos de pico. Segundo Marina, a bagagem adquirida nos anos de corrida de aventura foi decisiva para construir resistência mental e consciência corporal, permitindo dosar o ritmo durante as provas e prevenir lesões.
Na primeira maratona após iniciar a preparação estruturada, o tempo caiu em 12 minutos, atingindo a marca de 2h42, abrindo caminho para resultados sucessivos em provas como Chicago, Boston e Valência.
Sustentabilidade no esporte e presença digital
Conciliar a rotina de atleta com a captação de recursos no Brasil ainda representa um desafio. Marina ressalta que o mercado publicitário frequentemente prioriza influenciadores de grande alcance em detrimento de atletas dedicados à performance, exigindo que o esportista invista recursos próprios na produção de conteúdo e na gestão de imagem.
Para viabilizar sua comunicação sem comprometer o foco nos treinos e o descanso, ela conta com o suporte de uma agência de edição e estratégia digital, mantendo o controle dos roteiros com base em suas vivências reais nos treinamentos e competições.
Ciclo internacional e metas olímpicas
Os planos esportivos de curto e médio prazo incluem a participação na Maratona de Valência para seguir baixando o tempo e confirmar a vaga nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no próximo ano. Como líder do ranking nacional, o foco é sustentar a posição entre as duas melhores maratonistas do país.
Em relação aos Jogos Olímpicos, diante da exigência do índice direto de 2h26, a estratégia visa a classificação pelo ranking mundial de pontos da World Athletics, buscando posições de destaque no top 100 global por meio de provas selecionadas.