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Mariana Scarpelli: nutrição, alto nível e o desafio do UTMB

Campeã da La Mission detalha a transição para as ultras, a dieta plant-based e a preparação para correr em Chamonix.

Em conversa com Sidney Togumi no Stemma Na Trilha, Mariana Scarpelli repassa sua trajetória da corrida de rua até o topo das ultramaratonas de montanha brasileiras. A atleta aborda a rotina com nutrição plant-based e a estratégia para a disputa da OCC no UTMB.

A trajetória de Mariana Scarpelli no trail running não começou nas categorias de base do atletismo nem em um histórico esportivo de infância. Nascida em São Paulo e radicada em Imbituba, na Praia do Rosa (SC), há mais de uma década, a atleta construiu sua base esportiva já na vida adulta, migrando das corridas de rua para os terrenos técnicos das montanhas.

Com formação em Nutrição e adepta de uma alimentação vegana há 14 anos, Scarpelli se consolidou como um dos grandes nomes da modalidade no país. Em entrevista a Sidney Togumi no Stemma Na Trilha, ela compartilhou os bastidores do treinamento ao lado do marido e treinador Luiz, sua visão sobre nutrição de resistência e o plano traçado para a disputa da OCC (60 km), no prestigiado circuito do UTMB Chamonix.

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Do asfalto às ultramaratonas de montanha

A transição da capital paulista para o litoral catarinense foi o ponto de virada na rotina esportiva de Mariana. Após experiências nas provas de 10 km e meia maratona de rua, o contato com corredores de trilha hospedados na pousada que administrava despertou o interesse pelo terreno montanhoso. A estreia veio no desafio da Amazing Runs em Garopaba, unindo percursos de 25 km e 10 km no mesmo final de semana, onde já garantiu a segunda colocação geral.

A parceria com Luiz — profissional de educação física e fundador da assessoria Animal Runners — profissionalizou a preparação. Além da evolução física que a transformou em exímia escaladora, o trabalho focou no controle da ansiedade pré-prova e na construção da mentalidade competitiva para disputar a ponta do pelotão.

Mariana Scarpelli: nutrição, alto nível e o desafio do UTMB

A virada de chave e as conquistas na La Mission

Embora colecionasse pódios regionais, Scarpelli aponta a edição de 2023 da Jaraguá Sky como o momento definitivo de consolidação nacional. Ao conquistar o top 3 nos 52 km, terminando a apenas quatro minutos de Letícia Saltori em um start list concorrido, a atleta atingiu sua maior pontuação de desempenho no ranking ITRA e a confiança necessária para liderar provas de maior envergadura.

A sequência confirmou a boa fase: vitórias nos 53 km da La Mission Brasil em 2023, o título dos 50 km da Indomit Pedra do Baú e a consagração nos 80 km da La Mission em 2024. Mariana destaca seu perfil analítico e estratégico nas disputas, estudando os pontos fortes das adversárias no plano e nas subidas técnicas para dosar o ritmo desde a largada.

Nutrição esportiva plant-based e desmistificação do básico

Com duas décadas de atuação na área nutricional, Scarpelli defende que o alto rendimento não depende de fórmulas mirabolantes. Para a corredora, a fisiologia humana segue respondendo com excelência ao básico bem executado: aporte equilibrado de macronutrientes, consumo suficiente de carboidratos intra-treino e refeições tradicionais como arroz e feijão.

A atleta observa avanços significativos na estrutura dos eventos de montanha, com estações de suporte (aid stations) mais preparadas para atender vegetarianos, veganos e corredores com intolerâncias alimentares. Segundo Scarpelli, a dieta baseada em plantas otimiza a digestão e acelera a recuperação muscular, pontos críticos na preparação para provas de longa duração.

O desafio dos Alpes na OCC em Chamonix

Após vestir a camisa da seleção brasileira de skyrunning em duas ocasiões na Itália — na Veia SkyRace (2022) e na Royal Ultra SkyMarathon (2023), enfrentando trechos a mais de 3.100 metros de altitude —, o foco internacional de Mariana se volta para o maciço do Monte Branco. A meta na OCC (60 km) é brigar pelas primeiras colocações entre as atletas sul-americanas em terreno alpino.

Curiosidade: o medo de altura nos treinos

Apesar de encarar cumes técnicos e passagens expostas em provas de montanha, Mariana revela conviver com uma fobia acentuada de altura no dia a dia. A atleta relata que a segurança oferecida pelos percursos homologados de prova permite bloquear o receio, mas em treinos fechados — como em uma subida ao Pico do Itaguaré —, a exposição ao desnível já exigiu apoio físico dos colegas de treino para superar trechos rochosos.

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