Ivan Razeira: CBTri, World Triathlon Cup e Trajetória no Triathlon
O Diretor Geral da CBTri compartilha sua jornada inspiradora, desde os primeiros pedais até os desafios da gestão esportiva e os bastidores da World Triathlon Cup.
Neste episódio especial do Stemma Podcast, Ivan Razeira, Diretor Geral da Confederação Brasileira de Triathlon (CBTri), mergulha em sua história no esporte. Ele revela os pormenores da World Triathlon Cup, a logística e as regras cruciais para os atletas. Uma conversa aprofundada sobre alta performance, gestão e a evolução do triathlon no Brasil.
Em um cenário vibrante em Copacabana, Rio de Janeiro, durante a realização da World Triathlon Cup, os hosts Fábio Bessa e Thika Wamura receberam Ivan Razeira, o Diretor Geral da Confederação Brasileira de Triathlon (CBTri). A conversa revelou não apenas os bastidores de um evento de calibre internacional, mas também a inspiradora trajetória de Ivan, que se confunde com a própria história do triathlon brasileiro.
World Triathlon Cup: O Evento e Seus Bastidores
A World Triathlon Cup é um evento crucial no calendário mundial, gerido pela World Triathlon, a entidade que governa a modalidade, focando nas distâncias standard e sprint. Para os atletas, a competição é vital na busca por pontos para o ranking olímpico, visando os Jogos de Los Angeles 2028.
A organização de um evento desse porte exige uma logística gigantesca, começando muito antes da largada. Ivan destacou a necessidade de um hotel oficial, a equipe de receptivo para atletas e técnicos, e a provisão de uma piscina de treinamento de 50 metros, como a utilizada em parceria com a Exefex na Urca. O reconhecimento de percurso – de ciclismo e natação – é obrigatório e acontece bem cedo, às 6h da manhã em Copacabana, com escolta da Guarda Municipal. Outro ponto fundamental é o briefing pré-prova, cuja presença é compulsória para os atletas, sob pena de 10 segundos de penalidade na transição (T1).
Regras específicas da World Triathlon também foram abordadas, como a obrigatoriedade do uso de capacete mesmo em dias de treino antes da competição, ressaltando que “a prova começa antes da largada”.
Ivan Razeira: Do Atleta Promissor à Gestão Esportiva
A história de Ivan no triathlon começou em 1993, aos 13 anos, em Florianópolis. Seu interesse inicial pelo mountain bike o levou a uma Caloi 10, e, por acaso, a um duathlon terrestre. Inicialmente, a corrida era um desafio, mas o esporte o conquistou. Ele começou a se destacar em sua faixa etária, tornando-se Campeão Brasileiro Júnior em 1997 e conquistando pódios Pan-Americanos na categoria júnior.
Competindo até 2006, Ivan participou de etapas da World Cup na Europa, mas enfrentou desafios de patrocínio, financiando suas viagens com recursos próprios – como uma paeja beneficente e apoio do Instituto Guga Kuerten. Ao longo de sua carreira, competiu com grandes nomes como Juraci, Fábio Carvalho e Santiago Assenso, e teve como referência atletas como Alexandre Manzan, a quem descreve como o mais completo e um “ponto fora da curva” no triathlon brasileiro.
Paralelamente à carreira de atleta, Ivan cursou Educação Física na UDESC, onde foi “cobaia” em laboratórios de fisiologia e biomecânica, aprofundando seu conhecimento sobre o corpo e o treinamento de alto rendimento. A educação sempre foi prioridade, e ele conseguiu conciliar os estudos com a rotina de treinos e competições.
A Transição para a CBTri e o Desenvolvimento do Paratriathlon
A jornada de Ivan na CBTri começou em 2017, de forma voluntária, dedicando-se ao paratriathlon. Ele treinou Jorge Fonseca, um atleta amputado de braço, que mostrou um potencial atlético extraordinário. Ivan explicou a complexidade do paratriathlon, que se divide em seis classes funcionais de acordo com o nível de comprometimento da deficiência, detalhando exemplos como as classes PTS2, PTS4 (de Jorge) e PTS5 (de Ruiter).
Essa divisão, ele ressalta, é para garantir a igualdade na competição, embora em eventos como os Jogos Paralímpicos do Rio 2016, algumas classes tenham ficado de fora por questões econômicas, com a expectativa de que Los Angeles 2028 seja a primeira edição a incluir todas as classes. O transporte de equipamentos e a logística para atletas com deficiência são um desafio à parte, e Ivan se envolveu para dar suporte técnico.
Sua dedicação o levou a ser técnico em Tóquio 2020 e Chefe de Delegação em Paris 2024. Mais tarde, foi convidado para ser Coordenador Técnico e, finalmente, Diretor Geral da CBTri. Ivan destacou a complexidade da gestão de uma confederação, que funciona como uma “empresa de capital aberto”, com governança rigorosa e responsabilidade na gestão de recursos públicos. Ele trabalhou ao lado de profissionais como Elina, diretora técnica, e Bruna Mahn, cuja paixão e iniciativa são essenciais para a confederação.
O Salto na Carreira e a Virada Pessoal
A transição da área técnica para a gestão foi um desafio, superado em parte pelo CAGE (Curso Avançado de Gestão do Esporte) do Comitê Olímpico do Brasil (COB). O curso, focado em estudos de caso e planejamento estratégico, foi um divisor de águas para Ivan, permitindo-lhe aplicar conhecimentos de gestão financeira, recursos humanos e planejamento estratégico aos problemas reais da CBTri, além de criar uma rede de contatos valiosa entre pares de outras confederações.
Um momento de virada pessoal, o “Momento Z2”, ocorreu após a pandemia, quando Ivan decidiu fechar sua assessoria de corrida e mergulhar no empreendedorismo digital com um infoproduto sobre dieta cetogênica. Essa experiência o ensinou sobre produtividade e eficiência, mudando sua perspectiva sobre o trabalho e a vida. Essa nova mentalidade, focada em ferramentas e otimização, ele aplica hoje na gestão da CBTri, mantendo-se “sempre ligado” sem esgotamento.
Ao final da conversa, Ivan Razeira expressou gratidão pela oportunidade de divulgar o trabalho da confederação, convidando a todos a conhecer mais sobre o triathlon de alto rendimento e amador através do canal Triathlon Brasil. Sua trajetória é um testemunho da paixão pelo esporte e da capacidade de adaptação e liderança, inspirando tanto atletas quanto gestores.