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Ironman 70.3 São Paulo: guia do percurso com Fábio Carvalho

Bruna Mahn e o ex-triatleta profissional detalham a logística na USP, os trechos técnicos da bike e dicas para torcer.

Ex-triatleta profissional e comentarista do Stemma, Fábio Carvalho detalha o percurso do Ironman 70.3 São Paulo. Confira dicas de logística na USP, estratégias para natação, ciclismo e corrida, além de orientações para quem vai acompanhar a prova.

O Ironman 70.3 São Paulo se consolidou como uma das provas mais procuradas do calendário nacional de endurance. Disputada no coração da capital paulista com base na Cidade Universitária (USP), a etapa reúne milhares de atletas e exige um planejamento minucioso de logística, ritmo e equipamento. No Stemma Performance, a triatleta e apresentadora Bruna Mahn conversou com Fábio Carvalho, ex-triatleta profissional com 16 anos de elite e três participações no 70.3 SP na categoria amadora, para dissecar cada quilômetro da disputa.

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Logística, hospedagem e acesso à arena

Para quem vem de fora ou prefere ficar colado à largada, a recomendação de Fábio Carvalho é buscar acomodação em bairros próximos à USP, como Pinheiros e Alto de Pinheiros, nas imediações da Praça Panamericana. O deslocamento no domingo de madrugada costuma ser rápido a partir de vias centrais como a Avenida Paulista, mas a antecedência é fundamental: a área de transição abre às 4h30 na pista de atletismo do Cepeusp.

Aos competidores que vão de carro, a USP oferece ampla estrutura de estacionamento, exigindo apenas uma caminhada curta até a transição. Já para a torcida e acompanhantes que chegam mais tarde, a recomendação prática é utilizar transporte por aplicativo até a Ponte Cidade Universitária, acessando o campus a pé pela portaria de pedestres — que deixa o público a cerca de 400 metros da área central da prova, evitando portões bloqueados pelo circuito.

Ironman 70.3 São Paulo: guia do percurso com Fábio Carvalho

Natação na Raia Olímpica e transição longa

Com largada dos profissionais às 5h50 e dos amadores a partir das 6h05, a natação de 1,9 km acontece na Raia Olímpica da USP. Por se tratar de um canal protegido e em linha reta, o trecho não apresenta ondulação nem correntes, facilitando a navegação até para quem tem dificuldade de orientação em águas abertas. Quem busca fugir do tráfego inicial pode abrir cerca de 20 metros para o centro do canal.

Como a largada coincide com o nascer do sol, a escolha de óculos com lentes fumê ou espelhadas ajuda a evitar o ofuscamento. Na saída da água, o ponto de atenção fica para a escadaria íngreme e o longo trajeto a pé até o gramado da pista de atletismo: são entre 300 e 400 metros de corrida no asfalto, o que eleva o tempo de T1 para a faixa de três a quatro minutos.

Ciclismo técnico: túneis, pontes e Marginal Pinheiros

O pedal de 90 km começa com trechos de asfalto irregular e lombadas no interior da USP e nas pontes de concreto, exigindo suporte firme para caramanholas a fim de evitar a perda de hidratação logo no início. Nos primeiros quilômetros, o percurso passa pelo túnel sob a Marginal Pinheiros — uma descida bastante inclinada onde os atletas atingem velocidades superiores a 80 km/h —, seguindo pela Avenida Juscelino Kubitschek, Túnel Ayrton Senna e Avenida 23 de Maio / Rubem Berta antes de entrar na Marginal.

Na Marginal Pinheiros, os atletas cumprem duas voltas em pista expressa. Embora o perfil altimétrico pareça predominantemente plano, as alças e subidas de pontes exigem trocas de marcha precisas para não quebrar o ritmo. Fábio Carvalho alerta para o vento contra, comum na segunda volta para quem passa mais tarde na Marginal, e para o afunilamento nos postos de hidratação. No quesito transmissão, o ex-profissional desaconselha o uso de coroa única para amadores, sugerindo coroas 50T ou 52T na frente combinadas com cassetes versáteis para suportar tanto os trechos rápidos em descida quanto as subidas curtas e duras.

Corrida na USP, tênis e premiação

Os 21,1 km finais de corrida são inteiramente disputados dentro do campus da USP, com trajeto plano e boa oferta de sombra sob a arborização local. O grande desafio dos primeiros quilômetros é controlar o ritmo: a presença maciça de assessorias esportivas e torcedores com tambores na saída da T2 induz a um ritmo inicial excessivamente forte.

Outro ponto indispensável é conferir a conformidade dos tênis com placa de carbono junto às regras oficiais da World Triathlon/Ironman para evitar desclassificações. Após a linha de chegada, o trânsito de saída do campus costuma ser intenso, tornando recomendável aproveitar a estrutura de alimentação da arena enquanto se aguarda o check-out das bicicletas. A cerimônia de premiação e a rolagem de vagas para o Mundial de Ironman 70.3 acontecem à noite, exigindo presença física de quem busca a classificação.

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