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Guga Chacra: Do Jornalismo Global às Águas Gélidas de NY

O correspondente internacional Guga Chacra mergulha fundo em sua paixão pela natação em águas abertas e o Ice Swimming.

Guga Chacra, conhecido por sua atuação no jornalismo internacional, revela uma faceta menos explorada: a de nadador de águas abertas e entusiasta do Ice Swimming. No podcast Natação Stemma, ele compartilha sua jornada do polo aquático aos desafios extremos em Nova York, incluindo a Volta de Manhattan. Uma conversa inspiradora sobre disciplina, adaptação e a busca por limites.

No episódio #41 do Natação Stemma, os hosts Samir Barel e Wanderley Santos recebem um convidado de peso: Guga Chacra. Jornalista renomado e correspondente internacional da Globo News, Guga revela uma outra paixão que o move: a natação em águas abertas, especialmente o Ice Swimming nas águas geladas de Nova York. A conversa explora a transição de Guga do polo aquático para os desafios extremos, o ritual de nadar em baixíssimas temperaturas e como ele concilia essa rotina com sua intensa carreira.

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Do Polo Aquático à Descoberta das Águas Abertas

Guga Chacra iniciou sua trajetória esportiva no polo aquático pelo Clube Paulistano, após uma infância na natação. Ele descreve o polo como um esporte lúdico e coletivo, diferente da natação individual. Aos 10-11 anos, era comum que nadadores menos competitivos em clubes migrassem para o polo. “Quando o cara é mediano ali, você joga para o polo”, brinca Guga, explicando que essa fase foi fundamental para desenvolver sua relação com a água.

Com o tempo e as exigências da vida adulta, Guga migrou para a equipe master de natação do Paulistano, mas sua verdadeira paixão aflorou nas águas abertas. Ele relembra as aventuras na adolescência em Juquehy, nadando longos trechos como Juquehy-Barra do Sai ou Juquehy-Ilha, sem qualquer estrutura ou segurança. “A ignorância é uma bênção, né?”, comenta, percebendo hoje o risco daquelas empreitadas. Essa liberdade e o contato direto com o mar o prepararam, mesmo sem saber, para os desafios futuros. Guga destaca que a experiência do polo aquático, com sua força e explosão, e a familiaridade com o nado borboleta – seu estilo favorito – foram cruciais para sua performance nas águas abertas.

Guga Chacra: Do Jornalismo Global às Águas Gélidas de NY

O Fascinante Ritual do Ice Swimming em Nova York

A entrada de Guga no Ice Swimming foi quase por acaso, durante a pandemia de COVID-19. Com as piscinas fechadas em Nova York, ele buscava uma alternativa. Em uma visita à praia de Brighton Beach, viu pessoas nadando em março/abril (primavera no hemisfério norte), com a água a cerca de 10-11°C. Curioso, decidiu experimentar e não parou mais.

O Ice Swimming ocorre em águas abaixo de 5°C e exige um ritual meticuloso, principalmente no inverno: “No inverno, se eu vou para praia, daí eu não levo meus filhos para escola.”

Preparação e Adaptação

  • Aclimatação gradual: Guga se adapta às temperaturas decrescentes ao longo do ano, começando no verão e seguindo a queda da temperatura da água. Isso evita o “pânico” do corpo.
  • Vestuário e Pós-Nado: Ele estende a toalha no chão e prepara as roupas em ordem para vestir, priorizando camadas térmicas, como uma camisa Uniqlo Heat Tech, gorro e um casacão Canada Goose. A sunga e a touca são as últimas a serem removidas.
  • O ritual de entrada: Embora se sinta o “Superman” ao sair da água, Guga explica que o corpo fica anestesiado, e os pés e mãos perdem a sensibilidade. A saída da água e a troca de roupa são rápidas e eficientes.
  • O 'After Drop': Após a saída da água gelada, a temperatura corporal despenca, causando tremores incontroláveis. É o momento de se agasalhar, tomar bebidas quentes e se movimentar. “Depois de uns 5 minutos volta normal”, ele afirma.

Guga ressalta que o “Spring Swim” (natação na primavera, com água a 10-15°C e clima ameno) é, paradoxalmente, mais perigoso que o Ice Swimming. A falsa sensação de conforto leva os nadadores a permanecerem mais tempo na água, sem perceber a queda gradual da temperatura corporal. “Você não percebe tanto a temperatura do teu corpo caindo.”, ele alerta, enquanto no inverno, a agressividade do frio faz você sair rapidamente.

Desafios Épicos: A Volta de Manhattan e o Projeto Talentos do Capão

Entre os feitos de Guga, destaca-se uma prova de 16 km da Verrazano Bridge até Sandy Hook, em New Jersey. Ele também participou de um revezamento de 27 km com o projeto Talentos do Capão, uma iniciativa que leva jovens nadadores para desafios aquáticos. Guga se impressionou com a disciplina e a força dos adolescentes. “Eu fiquei bem chocado, assim, com essa molecada, nada bem…”. Ele ainda teve a oportunidade de nadar parte do percurso da Volta de Manhattan, passando sob pontes icônicas como a Williamsburg, Manhattan e Brooklyn Bridge, descrevendo a experiência como “uma sensação absurda”.

Seu próximo grande desafio é a Volta de Manhattan, um percurso de 30,5 km, que ele fará em setembro. Guga comenta sobre a complexidade das correntes dos rios Hudson, East e Harlem, e a preocupação com a qualidade da água, embora as autoridades monitorem rigorosamente. Ele enfatiza a importância de ter uma equipe de apoio e um treinador, como Samir Barel, que o acompanhará no caiaque. Outras provas como a Estátua da Liberdade Swim e a Brooklyn Bridge Swim são exemplos de desafios acessíveis para quem visita Nova York.

Rotina e Resiliência: O Nado como Ferramenta Mental

Apesar da agenda apertada como correspondente internacional, Guga mantém uma rotina que integra família, trabalho e natação. Ele acorda cedo para ler, leva os filhos à escola e dedica a manhã à natação, seja na piscina ou no mar. “É que eles tão na escola, minha mulher tá em casa trabalhando, então, eu tenho ali para nadar.” A natação não é apenas um esporte, mas uma ferramenta para processar informações e manter a mente clara. “Se a série de tiro longo, de 200 para cima, é uma maravilha. É como se o Samir bota ali umas hora ali, você tá fazendo tiro, de repente aquela série de 50…” O tempo na água é precioso, usado para refletir e organizar ideias, especialmente antes de escrever uma coluna ou enfrentar uma "breaking news".

Para Guga, o nado em águas frias não é apenas físico, mas profundamente mental. Ele acredita que é preciso “aprender a lidar com o frio” e “desfrutar da água fria”. A sensação de superação e a liberação de endorfinas criam um vício saudável. “Você não vai morrer na água fria… e tem que pegar e desfrutar da água fria”. Essa mentalidade o prepara para os desafios tanto na água quanto em sua exigente profissão, demonstrando como o esporte de alto rendimento molda não apenas o corpo, mas também a mente.

A jornada de Guga Chacra é um testemunho da capacidade humana de superar limites e encontrar equilíbrio em paixões que, à primeira vista, podem parecer distantes. A natação, em suas formas mais extremas, se torna um refúgio e uma fonte de força para o jornalista que navega pelo cenário global, inspirando a todos a buscarem suas "melhores versões" – dentro e fora da água.

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