CBTri e o Futuro do Triathlon: Sandro Bernardoni na World Cup Rio
O presidente da CBTri detalha os bastidores, desafios e ambições para o esporte no Brasil, destacando a importância da World Cup Rio.
Em entrevista exclusiva, Sandro Bernardoni, presidente da CBTri, compartilha os bastidores da World Triathlon Cup Rio 2026. Ele aborda o desenvolvimento do esporte no Brasil, a formação de novos talentos e o suporte aos atletas olímpicos. Uma visão aprofundada sobre o presente e futuro do triathlon nacional.
Durante a cobertura da World Triathlon Cup Rio 2026, Fabio Bessa e Thiago Kawamura, da Stemma Sports, conversaram com Sandro Bernardoni, presidente da Confederação Brasileira de Triathlon (CBTri). A entrevista, realizada no hotel dos atletas, abordou desde o retorno da competição ao Rio de Janeiro até os planos e desafios para o desenvolvimento do triathlon nacional e o suporte aos atletas de elite.
O Retorno da World Cup ao Rio e o Cenário Global
A World Triathlon Cup Rio marca um momento significativo, retornando ao Rio de Janeiro após 30 anos. Essa edição é de extrema importância, pois serve como um palco crucial para os atletas buscarem pontos importantes para a corrida olímpica, comparando-se à elite mundial.
Além da competição, o evento sedia reuniões do board internacional de triathlon, onde são debatidos e decididos o futuro da modalidade. Sandro Bernardoni destacou as mudanças recentes, incluindo a fusão do T100 com o Challenge e a implementação de um novo calendário para 2027, exigindo adaptação de todas as federações.
Da Prancha ao Pódio: A Jornada Pessoal de Sandro Bernardoni e o Lifestyle Triatleta
Curiosamente, Sandro Bernardoni iniciou sua jornada no triathlon de forma inusitada. Em 1998, enquanto assistia a uma transmissão do Ironman na TV – na época, surfista –, ele pensou: "Acho que consigo fazer isso". A partir desse momento, o triathlon se tornou uma paixão e um lifestyle que transformou sua vida. Como presidente da CBTri, seu objetivo é fomentar esse sentimento, fazendo com que os triatletas sintam orgulho de sua modalidade, encarando-a como um estilo de vida que impacta positivamente a família e a sociedade.
Bastidores da Organização e o Suporte da CBTri aos Atletas de Elite
A organização de um evento de grande porte como a World Cup exige uma complexa articulação. Sandro Bernardoni ressaltou o apoio fundamental de Virgílio, atleta e figura influente no Rio de Janeiro, que auxiliou na interação com a comunidade local. A confederação busca ser uma aliada da cidade, minimizando os impactos inevitáveis que um evento dessa magnitude pode causar no cotidiano dos moradores.
Desenvolvimento e Suporte aos Talentos
O foco principal da CBTri, embora vise desenvolver o triathlon de forma geral, é direcionado aos atletas olímpicos, devido aos recursos provenientes do COB (Comitê Olímpico do Brasil), majoritariamente das loterias. Esses recursos são atrelados aos resultados, com um bom desempenho nas competições internacionais impactando positivamente o orçamento da confederação. A CBTri oferece um suporte completo aos atletas da equipe A, como Miguel, Messias, Jennifer e Vitória, cobrindo hospedagem, passagens e translado para as competições internacionais, além de contar com uma equipe dedicada aos bastidores. Essa estrutura visa garantir que o atleta se concentre apenas em sua performance.
Sandro Bernardoni mencionou a importância de figuras como Laporta, ex-presidente da CBTri e atual presidente do COB (após disputa com Paulo Wanderley), que, por sua origem no triathlon, compreende as necessidades da modalidade. Ele também destacou os desafios na gestão de recursos escassos e a necessidade de planejamento para situações imprevistas, como lesões de atletas, que já impactaram a participação da equipe em provas como o Team Relay.
O Legado que Inspira: Conectando a Base ao Alto Rendimento
Os sonhos de Sandro Bernardoni para o triathlon brasileiro são múltiplos. Ele busca fortalecer a identidade do triatleta, desenvolver copas regionais (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste) para impulsionar o crescimento do esporte em todas as regiões, e conectar as escolinhas de triathlon (como as 43 de Juraci e outras espalhadas pelo Brasil) ao alto rendimento. O objetivo é criar um sistema de mapeamento que permita descobrir novos talentos como Messias, Miguel, Jennifer e Vitória, sabendo que a formação de um atleta olímpico leva de 8 a 12 anos.
Sandro ainda enfatiza a importância de um "ecoesporte", um ambiente onde todas as partes envolvidas – desde treinadores e assessorias até lojas de bicicleta e a mídia – conversem e se desenvolvam juntas. O sucesso de um é o sucesso de muitos, e essa colaboração é um dos legados que o presidente da CBTri almeja deixar para a modalidade.
O futuro do triathlon brasileiro, sob a gestão de Sandro Bernardoni, parece focado na identidade, no desenvolvimento regional, na formação de talentos e na colaboração de todos os agentes para que o esporte continue a crescer e a inspirar novas gerações. É um convite para que a comunidade continue acompanhando de perto essa jornada.