Curated
Voltar T @turmadojilo 4 min de leitura
education

Inclusão em Foco 2023: Lições de Diversidade e Ousadia

A ousadia da Turma do Jiló e as lições do Inclusão em Foco para uma sociedade mais diversa e justa.

O Fórum Inclusão em Foco 2023, promovido por McDonald's e Arcos Dourados, abordou temas cruciais como racismo e capacitismo. A Turma do Jiló compartilhou sua inspiradora jornada, destacando a importância da educação e da ousadia na promoção da diversidade e na luta contra a exclusão. Uma chamada à ação para que todos se tornem agentes de transformação.

No evento Inclusão em Foco 2023, promovido por McDonald's e Arcos Dourados, a Turma do Jiló marcou presença para compartilhar valiosas reflexões sobre racismo, capacitismo e a urgente necessidade de uma sociedade mais inclusiva. A gerente de comunicação da Divisão Brasil de Arcos Dourados, Mariana Augusto, abriu o dia, reforçando o compromisso com a diversidade e inclusão, inspirados pelo Dia da Consciência Negra (20 de novembro) e o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência (3 de dezembro). O objetivo principal: inspirar a todos a serem agentes de transformação em seus próprios meios.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

Desafios Históricos da Inclusão de Pessoas com Deficiência no Brasil

A discussão sobre os direitos das pessoas com deficiência no Brasil revela uma trajetória recente e ainda em construção. O primeiro direito surgiu em 1975, mas a Lei de Cotas, que impulsionou a empregabilidade, só chegou em 1991. Em 1994, a educação inclusiva começou a ser debatida, permitindo que pessoas com deficiência estudassem em escolas comuns – um avanço crucial para combater a invisibilidade. O marco mais recente é a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), de 2015. Em 2022, o IBGE revelou que 8,9% da população brasileira, ou 18,6 milhões de pessoas, se declaram com alguma deficiência. Destes, apenas 26% têm alguma ocupação, sendo 55% na informalidade.

Um ponto crucial levantado foi a suposta "falta de profissionais qualificados". Apesar de 63% das pessoas com deficiência não atingirem o ensino fundamental, 7% são graduadas. Parece pouco, mas 7% de 18,6 milhões representam mais de 1,2 milhão de pessoas com ensino superior. Isso levanta a questão: as empresas estão realmente procurando nos lugares certos ou usando a falta de qualificação como justificativa para a exclusão?

Inclusão em Foco 2023: Lições de Diversidade e Ousadia

O Impacto das Relações Raciais no Mundo Corporativo

Outro palestrante aprofundou a discussão sobre as relações raciais, destacando como a questão racial moldou sua própria história e trajetória. Ele ressaltou a importância da Conferência de Durban, na África do Sul, no final do século XX, onde o Brasil assumiu ser um país racista e se comprometeu a criar políticas públicas para combater o racismo. Essa virada impulsionou o setor corporativo a também agir, reconhecendo que a sociedade não muda sem a participação do setor privado.

Além disso, a ascensão das redes sociais e canais de comunicação, como o Mundo Negro, foi apontada como fundamental para a construção de uma identidade negra positivada. Combatendo a "brutalidade" do racismo que nega essa construção, esses canais ampliam a visibilidade e o conhecimento sobre a história e cultura negra, impactando diretamente o debate sobre diversidade e inclusão nas empresas.

Carolina Videira: Empatia, Ousadia e a Turma do Jiló

A fundadora da Turma do Jiló, Carolina Videira – ou Carola, como prefere ser chamada –, emocionou a todos com sua história. Neurocientista e empreendedora social, Carola narrou a virada de sua vida em 2008, com o nascimento de seu filho João. Após o diagnóstico de múltiplas deficiências de João e a previsão médica de que ele não sobreviveria ou se desenvolveria, Carola enfrentou um dilema no trabalho: escolher entre a carreira brilhante e a maternidade. Sua ousadia a levou a se demitir e fundar a Turma do Jiló, um ecossistema de práticas inclusivas.

A organização cresceu, ganhando prêmios e expandindo sua metodologia. Durante a pandemia de 2020, em um momento de crise e escassez de recursos, a Turma do Jiló demonstrou sua resiliência ao ousar e buscar soluções. Em parceria com a ONU, a equipe viajou a Boa Vista para capacitar mulheres refugiadas com deficiência que estavam esquecidas em abrigos, conseguindo empregar todas elas, provando que "não deixar ninguém para trás" é possível com formação e informação.

Inclusão como Escolha e a “Síndrome dos Neurotípicos”

Carola compartilhou também o luto pela perda de seu filho João, aos 14 anos, em 2021. Apesar da dor, ela encontrou a força para continuar sua missão. Inspirada por Vygotsky, ela afirma: "A gente não nasce humano, a gente se torna humano. E ser inclusivo é uma opção." Não existe "meia inclusão"; a escolha é individual e coletiva.

Para as empresas, Carola é direta: ou são inclusivas, ou permanecerão doentes. Ela apresenta um conceito provocador: a "síndrome dos neurotípicos". Não se trata de uma condição médica, mas de uma crítica a uma visão social rasa, pequena e sem perspectiva que adoece as relações e impede o avanço da diversidade. A neurodiversidade somos nós, a neurodivergência são alguns, mas a "síndrome dos neurotípicos" é a crença limitante que exclui. Carola finaliza com um chamado poderoso: juntos, podemos fazer a diferença e garantir que ninguém seja deixado para trás.

Este evento reforçou a mensagem de que a luta pela inclusão e diversidade exige coragem, conhecimento e a disposição de cada um em ser um agente de mudança. A história da Turma do Jiló é um testamento de que, mesmo diante das maiores adversidades, a ousadia pode gerar transformações profundas e construir um futuro mais justo para todos.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

Mais de @turmadojilo