Autismo Adulto: A Jornada de Rafael Mantesso e seu Cão Jimmy Chu
Rafael Mantesso compartilha sua jornada de autodescoberta, o impacto do diagnóstico de autismo e a inspiração vinda de seu famoso cão, Jimmy Chu
Nesta live da Turma do Jiló, o artista Rafael Mantesso, conhecido por seu trabalho com o Bull Terrier Jimmy Chu, fala sobre sua experiência com o diagnóstico de autismo na vida adulta. Ele compartilha como essa descoberta trouxe paz e a importância de celebrar a neurodiversidade. Uma reflexão profunda sobre aceitação e o poder de encontrar seu próprio espaço no mundo.
Nesta live especial da Turma do Jiló, com apoio do JK Iguatemi para o Mês de Conscientização do Autismo, a fundadora Carolina Videira recebe o artista, ilustrador e cofundador do Instituto Ata, Rafael Mantesso. Conhecido mundialmente por seu trabalho criativo com seu Bull Terrier, Jimmy Chu, Rafael compartilha sua profunda jornada de autodescoberta do autismo na vida adulta e como essa revelação transformou sua percepção de mundo.
A Arte da Superação com Jimmy Chu
A trajetória de Rafael é marcada por reviravoltas. Após o fim de um restaurante e um divórcio, ele se viu em um apartamento vazio. Foi nesse período de recomeço que a criatividade floresceu. Usando as paredes brancas e o próprio Jimmy Chu como tela, Rafael começou a desenhar em volta do cão. O objetivo inicial era simples: desmistificar o preconceito contra a raça Bull Terrier, mostrando a doçura e lealdade de Jimmy. Essas fotos, postadas sem pretensão no Instagram, viralizaram, culminando no best-seller internacional "Um Cão Chamado Jimmy". Rafael revela que foi nesse momento que Jimmy Chu se tornou o protagonista de sua vida.
O Diagnóstico Tardiamente Acolhedor
Durante esse período de intensas mudanças, Rafael também descobriu ser autista, aos 30 anos. Sua infância foi "traumática", marcada por bullying na escola e o sentimento de ser um "esquisito". Contudo, o suporte de pais amorosos no interior de Minas Gerais minimizou os impactos. "Meus pais entenderam que minha vida fora de casa era muito difícil e fizeram minha vida em casa ser muito boa", lembra. Naquela época, o autismo era desconhecido. A busca pelo diagnóstico na vida adulta foi desafiadora, pois muitos profissionais não estão preparados. A confirmação veio após múltiplos testes com a psiquiatra Marie, da Nova Zelândia.
Para Rafael, o diagnóstico não mudou a vida, mas trouxe uma profunda paz e compreensão sobre sofrimentos passados. Ele enfatiza que o autismo é um espectro, e não um estereótipo: "Não é que você conhece um que você conhece todos".
Celebrando a Neurodiversidade e Conquistando Espaços
Rafael defende a celebração da neurodiversidade, destacando que grandes mentes da história – cientistas, artistas – frequentemente estavam no espectro. Ele cita a ativista Greta Thunberg como exemplo de como o hiperfoco pode ser um "superpoder". Para Rafael, a sociedade ainda não está preparada para lidar com a neurodiversidade, mas isso não o impede de agir. Ele exige ambientes de trabalho que respeitem sua individualidade: "Não quero trabalhar num lugar que acha que a minha tatuagem é um problema", exemplifica. A mensagem é clara: conquiste seu espaço e entenda suas próprias necessidades.
Iniciativas como a "hora do autista" em supermercados mostram um caminho de adaptação e inclusão, mas a mudança principal deve vir da autoaceitação e da busca pelo autoconhecimento. Ele menciona a Lei Romeo Mion como um avanço importante, mas reforça a importância da provocação e da militância individual.
A Conexão Fisiológica entre Rafael e Jimmy
A relação de Rafael com Jimmy Chu é de profunda gratidão e amor. "Minha vida existe antes e depois do Jimmy", afirma. Ele foi o primeiro ser a quem Rafael sentiu-se completamente amado e aceito. Recentemente, em suas pesquisas para um segundo livro, Rafael descobriu um artigo na revista Nature que revela uma coincidência fascinante: o cérebro de Bull Terriers processa uma substância química de forma similar ao cérebro de crianças autistas. Essa "coincidência científica" reforça a conexão única entre ele e Jimmy, quase como se o cão fosse um "autistanimal", uma entidade que o conecta ao mundo.
A inspiradora conversa com Rafael Mantesso nos lembra da importância de valorizar cada singularidade e de lutar por um mundo onde a neurodiversidade seja vista como uma força, não como um impedimento. Que sua jornada nos inspire a buscar o autoconhecimento e a construir ambientes verdadeiramente acolhedores para todos.