Altas Habilidades: Desvendando a Superdotação Além do Gênio
Altas habilidades não são sobre ser gênio, mas sobre um cérebro que funciona de forma única
Desvende o universo das altas habilidades/superdotação (AH/SD) e entenda que vai muito além da inteligência. Carola, que tem AH/SD, e Adri da Turma do Jiló, explicam como identificar os sinais e criar ambientes verdadeiramente inclusivos. Saiba por que a diferença merece respeito e como transformar ambientes para que todos possam florescer.
No quadro #JilóEnsina, as queridas Adri e Carola Videira, da Turma do Jiló, mergulham em um tema muitas vezes rodeado de tabus: altas habilidades e superdotação (AH/SD). Carola, com sua vivência pessoal, traz uma perspectiva única, mostrando que compreender o AH/SD é fundamental para construir um mundo mais acolhedor.
Altas Habilidades/Superdotação: Um Jeito Diferente de Funcionar
Desmistificando o senso comum, altas habilidades e superdotação não se resumem a ter um QI altíssimo ou aprender tudo rapidamente. Carola explica que é, na verdade, um jeito diferente do cérebro funcionar e processar informações. Isso pode vir acompanhado de uma maior sensibilidade sensorial e emocional, fazendo com que experiências como empatia, alegria ou sofrimento sejam vividas com mais intensidade.
Enquanto pessoas inteligentes aprendem rápido, uma pessoa com AH/SD demonstra uma curiosidade profunda, que muitas vezes vai além do esperado para a idade, e um interesse genuíno por temas complexos. Elas buscam desafios que extrapolam o que as escolas convencionais costumam oferecer, esgotando rapidamente os conteúdos padrão.
Não existe um modelo único de superdotado. Pode ser uma criança que lê aos 4 anos, um adolescente que inova na escola ou um adulto que se aprofunda por semanas em um tema específico. A chave é entender que cada indivíduo é único em sua manifestação de AH/SD.
Sinais Ignorados e Mitos Prejudiciais
Justamente por não haver um modelo fixo, muitos sinais de altas habilidades podem passar despercebidos. Alguns exemplos incluem:
- Perguntas complexas desde muito cedo, como uma criança questionando a existência das cores.
- Sensibilidade emocional intensa, chorando mais que outros diante de uma cena de filme.
- Tédio em atividades repetitivas, que muitas vezes é erroneamente interpretado como desinteresse ou falta de atenção.
Adri destaca que ela mesma já fez parte da estatística de professores que, por falta de conhecimento, invisibilizaram estudantes com AH/SD. É um mito comum associar AH/SD apenas a boas notas — pesquisas recentes (2021-2022) mostram que 52% a 61% dos professores caem nessa armadilha, negligenciando outros sinais importantes como a curiosidade e a sensibilidade.
Carola compartilha sua experiência de um diagnóstico tardio na vida adulta. Por não demonstrar a “genialidade” nas notas, ela achava que era uma má aluna. Esse conhecimento tardio permitiu que ela compreendesse seu cérebro curioso e transformasse sua própria prática, ressaltando a importância de repensar e agir com inclusão.
Transformando Ambientes para a Inclusão
A inclusão não é sobre mudar a pessoa, mas sim sobre transformar os ambientes para que todos possam florescer. Para quem se identifica ou quer apoiar alguém com altas habilidades, as dicas são claras:
- Busque profissionais especializados para um acompanhamento adequado.
- Escute e acolha a pessoa em suas particularidades.
- Flexibilize e adapte os ambientes e as expectativas.
Ao invés de esperar a genialidade, precisamos reconhecer que AH/SD é uma forma diferente de ser e que essa diferença merece respeito e acolhimento. Vem com a gente, aqui ninguém fica para trás!