Sustentabilidade na Amazônia: Mulheres na Liderança e Crédito de Carbono
Descubra como a expertise feminina impulsiona o desenvolvimento sustentável e o mercado de crédito de carbono na Amazônia.
Neste episódio inspirador do Donas da Voz, Livia Matos conversa com Thais Chalub, especialista em negócios sustentáveis e créditos de carbono. A advogada amazônida compartilha sua jornada e a visão de que a sustentabilidade é, sim, pauta feminina. Um papo crucial sobre empoderamento, a importância de vozes locais e o futuro verde do Brasil.
Neste episódio especial do Donas da Voz, a apresentadora Livia Matos recebe Thais Chalub, advogada, palestrante e especialista em negócios sustentáveis e créditos de carbono. Nascida e criada na Amazônia, Thais compartilha sua trajetória e a convicção de que a sustentabilidade é uma pauta intrínseca ao universo feminino, essencial para o futuro da região e do planeta. Uma conversa reveladora sobre propósito, liderança e o papel transformador das mulheres na economia verde.
Créditos de Carbono: Um Mecanismo de Mercado pela Sustentabilidade
Thais Chalub desmistifica o conceito de crédito de carbono, explicando que ele representa uma tonelada de CO2 que deixou de ser emitida, e que pode ser comercializada em mercados voluntários ou regulados. A importância desse mecanismo reside em trazer a discussão ambiental para o centro do debate econômico, transformando uma conversa antes restrita a universidades em um tema da Faria Lima e dos grandes círculos econômicos europeus.
Observamos uma evolução significativa no engajamento das empresas. Desde 2006, com a publicação dos Princípios para o Investimento Responsável (PRI), o mercado financeiro passou a considerar critérios sociais, ambientais e de governança (ESG) em suas decisões de investimento. Thais ressalta que essa mudança reflete uma nova mentalidade, especialmente das gerações mais jovens, que priorizam propósito e sustentabilidade em detrimento de um capitalismo puramente focado no lucro.
Amazônia: Amor, Propósito e Liderança Feminina
Para Thais, sua conexão com a Amazônia é visceral. Ela conta que só conheceu a floresta de fato ao se deparar com o primeiro projeto de carbono, transformando-o em propósito de vida. Seu lema é simples: "Ninguém quer proteger o que não ama. E para amar, a gente precisa conhecer." Essa paixão a levou a integrar o Comitê de Gênero do Startup G20, onde defendeu a inclusão da Amazônia no relatório ambiental brasileiro. Ela destacou que mulheres são mais propensas a proteger o meio ambiente e, em conselhos de administração, tendem a tomar decisões mais sustentáveis sem comprometer o lucro.
Estudos comprovam que empresas com mais mulheres em cargos de liderança são percebidas como mais inclusivas. Livia e Thais reforçam que a luta por equidade não é "contra os homens", mas sim para superar um gap de gênero histórico, construindo um futuro mais igualitário para as próximas gerações. Elas enfatizam que as mulheres são naturalmente mais inclinadas ao cuidado e à administração, qualidades essenciais para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Equilíbrio e Resiliência na Jornada Feminina
Conciliar a carreira com a maternidade foi um dos maiores desafios de Thais, que precisou concluir seu mestrado em Berkeley, uma das universidades mais conceituadas do mundo, com um filho de apenas oito meses. Ela e Livia discutem a impossibilidade de ser "perfeita em tudo", uma pressão comum sobre as mulheres. Thais prioriza momentos de qualidade com o filho e destaca a importância de disciplina para manter a rotina e a saúde mental, especialmente através do exercício físico.
Thais foi homenageada com o Selo Inspire Women of the Year pela Berkeley Global, um reconhecimento por seu trabalho no combate ao desmatamento ilegal. Este prêmio, para ela, serve como uma reflexão sobre como pode levar mais vozes da Amazônia para palcos globais, superando barreiras de oportunidade e idioma.
Amazônia: Vozes Locais e o Fim do Olhar Colonizador
Para Thais, a Amazônia vive um "hype", mas as pessoas que moram lá raramente estão nos palcos globais. Ela critica a visão de forasteiros que, sem vivência na região, definem o que é a Amazônia para o mundo. A especialista alerta: a Amazônia não será salva "de fora para dentro" e muito menos com um "olhar colonizador". É fundamental ouvir e valorizar os empreendedores locais que entendem os desafios de infraestrutura, logística e saneamento.
O Brasil, detentor de 60% da maior floresta preservada do mundo, tem o potencial para ser o porta-voz global em questões ambientais. Thais Chalub defende um modelo de coparticipação e compartilhamento de benefícios, onde o dinheiro gerado pelos recursos da floresta permaneça na região, gerando empregos e desenvolvimento local através de negócios éticos.
Futuro e Inspiração
Thais está à frente da Amazônia Connect, uma empresa que busca unir o capital global às iniciativas valiosas na Amazônia, acelerando negócios que beneficiem a população local e a infraestrutura da região. Ela prevê uma evolução significativa no mercado de carbono no Brasil, especialmente com a provável aprovação de um projeto de lei regulatório.
Para as mulheres que sonham em atuar na sustentabilidade, sua mensagem é clara: "Comece pequeno e sonhe grande. Tudo que tem propósito é muito poderoso e pode te levar a lugares inimagináveis." Questionada sobre o que diria à Thais de 15 anos, ela aconselha: "Não deixe ninguém apagar a sua chama." Essa é a essência do Donas da Voz: empoderar mulheres a usar suas vozes para transformar o mundo. Que essa chama inspire mais mulheres a trilhar caminhos de impacto, defendendo a Amazônia e construindo um futuro mais justo e sustentável.