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Proteção Patrimonial e Direitos da Mulher no Divórcio: Guia Essencial

Dr. Renê Freitas revela como mulheres podem se empoderar e proteger seu futuro em meio a desafios legais e sociais do divórcio.

Descubra como mulheres podem garantir seus direitos no divórcio. Dr. Renê Freitas, especialista em Direito das Mulheres, aborda proteção patrimonial, guarda dos filhos e pensão alimentícia, desvendando mitos e realidades do sistema jurídico brasileiro. Uma conversa essencial sobre empoderamento e autonomia feminina.

O divórcio é um tema complexo que, para muitas mulheres, traz mais dúvidas do que certezas. No Donas da Voz, Livia Matos recebe o Dr. Renê Freitas, um renomado especialista em Direito das Famílias com foco exclusivo na advocacia para mulheres. Neste episódio inspirador, Dr. Renê desvenda os desafios jurídicos e sociais, oferecendo um guia essencial para que as mulheres possam se proteger e buscar seus direitos com coragem.

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A Origem de uma Advocacia para Mulheres

Dr. Renê Freitas compartilha sua jornada pessoal, desde a observação das dinâmicas familiares entre sua mãe, avó e pai, que já vivenciavam uma parceria incomum para a época, até a experiência da irmã com uma gravidez inesperada. A virada profissional veio ao perceber que o casamento é um contrato, muitas vezes desfavorável à mulher, especialmente na fase pós-contratual. Essa percepção o levou a dedicar-se exclusivamente à defesa dos direitos femininos, motivado por um senso de justiça e pela busca de um equilíbrio nas relações.

Proteção Patrimonial e Direitos da Mulher no Divórcio: Guia Essencial

Casamento: Um Contrato que Exige Proteção Patrimonial

Dr. Renê destaca que 37% dos divórcios no Brasil ocorrem por problemas financeiros. Ele propõe uma visão racional, sugerindo que as mulheres encarem o casamento como uma empresa, onde a inteligência e os acordos claros devem prevalecer desde o início. A pressão social e o romantismo excessivo frequentemente levam mulheres a ignorar a importância de discutir finanças e proteção patrimonial, resultando em grandes perdas. Livia Matos compartilha sua própria experiência de ter perdido bens em seu primeiro casamento por falta de planejamento e excesso de romantismo, reforçando a necessidade de pragmatismo.

O Apagão Curricular e a Compensação

Um ponto crucial é o apagão curricular, onde muitas mulheres saem do mercado de trabalho para cuidar dos filhos e da casa, perdendo anos de desenvolvimento profissional. Dados do IBGE mostram que mulheres trabalham 55% mais em atividades invisíveis e não remuneradas, caracterizando uma “escravidão velada”. O Dr. Renê explica que, embora a sociedade muitas vezes desvalorize esse trabalho doméstico, existem ferramentas jurídicas para compensar essa perda na carreira em caso de divórcio. Ele menciona o Protocolo para Julgamento sobre Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça, que visa equilibrar julgamentos no direito da mulher.

Desafios Legais e Sociais

O machismo estrutural ainda persiste, tanto na sociedade quanto no Judiciário, levando à normalização de absurdos. Dr. Renê critica homens que escondem patrimônio para não pagar pensão e a falta de responsabilização social. Ele aborda a “Síndrome da Gaiola Dourada”, que afeta mulheres de alto padrão financeiro que, apesar da aparente riqueza, vivem violência psicológica e são julgadas por outras mulheres por “reclamar”.

Infidelidade e Direitos no Divórcio

A questão da infidelidade feminina é outro ponto delicado. O Código Civil de 1980 continha um artigo que poderia implicar a perda do direito a alimentos por infidelidade. Contudo, a Constituição Federal prioriza o direito à vida e à alimentação, tornando essa interpretação inadequada e, para muitos, inconstitucional. A infidelidade não afeta a partilha de bens nem a guarda dos filhos, mas pode impactar o direito a alimentos compensatórios.

Guarda dos Filhos e Pensão Alimentícia: Mitos e Realidades

A guarda compartilhada é a regra no Brasil, significando que ambos os pais decidem sobre a vida dos filhos, independentemente de onde a criança mora. O “lar de referência” é o local onde a criança vive majoritariamente, e quem tem o lar de referência não paga pensão. A pensão alimentícia é calculada com base nas necessidades da criança (escola, saúde, lazer) e na capacidade financeira do pai, sem um limite fixo de 30%. Dr. Renê enfatiza que a sociedade não deveria normalizar que o pai viva melhor que o filho.

Mães e a Guarda

Mulheres não perdem a guarda dos filhos por questões financeiras. A perda da guarda ocorre apenas em situações que prejudicam o bem-estar da criança, como vícios, agressividade ou negligência comprovada. O Judiciário tem se estruturado para apurar essas denúncias com psicólogos e assistentes sociais, protegendo a criança.

O Impacto das Redes Sociais e Mudanças na Lei

Dr. Renê alerta sobre o uso indevido de fotos e prints de redes sociais para descreditar mulheres em processos de divórcio, prática que deveria ser coibida e punida pelo Judiciário. Ele expressa grande preocupação com a proposta de alteração do Código Civil que permitiria a mudança do regime de bens em cartório. Essa mudança facilitaria a manipulação de mulheres, especialmente em momentos de vulnerabilidade (gravidez, puerpério), aniquilando seus direitos patrimoniais sem a devida proteção judicial, já que o controle do juiz seria removido.

Apoio e Recursos para Mulheres

Para mulheres com poucos recursos, a Defensoria Pública é uma opção para buscar assistência jurídica gratuita, embora Dr. Renê aponte suas limitações e a lentidão do processo. Ele sugere procurar os núcleos de atendimento jurídico de faculdades de Direito como uma alternativa mais eficaz. Além disso, existem políticas públicas como as Casas Lilás (centros de acolhimento) e o aluguel social para vítimas de violência, mostrando que as ferramentas de proteção estão evoluindo no Brasil, mesmo que a execução ainda seja um desafio.

Uma Mensagem de Coragem

Dr. Renê finaliza com uma mensagem poderosa: Coragem. Ele encoraja as mulheres a entenderem que existe vida fora de casamentos infelizes, a buscar apoio em uma “rede de apoio” genuína – mesmo que pequena – e a encarar a verdade sobre suas relações, por mais dura que seja. Ele reitera que mulheres não perderão a guarda dos filhos ou morrerão de fome se buscarem a separação. Às vezes, sair de um relacionamento abusivo é a própria forma de vida, empoderamento e transformação. Você não está sozinha.

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