Curated
Voltar D @donasdavoz 5 min de leitura
lifestyle

Lais Souza: Superação e Resiliência Além da Ginástica Olímpica

A jornada da ex-atleta que transformou desafios em arte, voz e um convite ao empoderamento feminino.

Conheça a história de Lais Souza, desde suas medalhas olímpicas até sua vida como palestrante e artista plástica. Uma conversa emocionante sobre resiliência, aceitação e a força de transformar obstáculos em novas oportunidades. Lais compartilha sua jornada de superação, a importância da terapia e da denúncia de abusos.

No quadro "Vozes que Inspiram" do Donas da Voz, a apresentadora Livia Matos recebe Lais Souza, ex-atleta olímpica de ginástica artística. Lais, que representou o Brasil em quatro edições dos Jogos Olímpicos, compartilha sua trajetória de superação, desde os primeiros passos no esporte até a vida pós-acidente que a deixou tetraplégica, mostrando que a resiliência é a chave para transformar desafios em novas paixões e propósitos.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

O Início no Esporte e a Ginástica Artística

A ligação de Lais com o esporte começou muito cedo, aos 3 ou 4 anos. Enquanto seu irmão praticava judô, a ginástica artística "caiu no seu colo". Lais, que já era uma criança com o lado competitivo bem aflorado, se destacou rapidamente. Sua carreira durou 21 anos e foi marcada por muita dedicação e disciplina. Lais precisou fazer muitos sacrifícios, como morar longe da família em busca de melhores estruturas e técnicos, culminando na sua entrada na Seleção Brasileira. A vida de atleta é de muita abdicação, um "amor ao país e ao esporte" que exige superação constante de lesões e dificuldades.

Lais Souza: Superação e Resiliência Além da Ginástica Olímpica

A Transição para o Esqui Aéreo

Após a ginástica, Lais buscou novos desafios. A Confederação Brasileira de Esportes na Neve (CBDN) a procurou para integrar a equipe de esqui aéreo. Sua experiência na ginástica a tornava uma candidata ideal para as acrobacias no ar, realizadas após descer rampas em alta velocidade. A adaptação ao "mundo gelado" foi desafiadora. Lais descreve o esqui aéreo como um dos esportes que "mais dá medo", com a adrenalina a mil e a necessidade de aprender a cair de uma altura de até 6 metros em uma neve que, ao contato, "vira concreto".

O Acidente, a Conscientização e a Recuperação

O acidente que a deixou tetraplégica ocorreu nos Estados Unidos, em Utah. Lais não foi informada imediatamente sobre sua condição; a conscientização foi gradual. No hospital, ela percebeu que não conseguia se mover nem respirar sozinha. Suas pequenas vitórias incluíam pedir ajuda para coçar o nariz. Um momento marcante foi quando um médico sugeriu que ela cantasse para sair do respirador. Lais conta que conseguiu sair do aparelho cantando músicas de Ana Carolina, o que considera uma de suas "grandes vitórias". Lais também participou de um estudo com células-tronco, que, embora não prometessem cura, auxiliaram na recuperação de edemas e fibroses internas, dando-lhe motivação.

Desafios e Aceitação da Nova Realidade

A adaptação à nova realidade foi um "paquetão" de desafios. A dependência, a necessidade de cuidadores e a rotina da tetraplegia impactaram sua vida e a da sua família, como sua mãe, que deixou o trabalho para apoiá-la. Lais enfrentou questões de acessibilidade, os altos custos de tratamento e a busca por inclusão. Ela revela ter sido capacitista consigo mesma, julgando-se por estar na cadeira de rodas, mas hoje entende que a cadeira é um apoio que a ajuda a "seguir".

A Importância da Terapia

Lais destaca a fundamental importância da terapia. Para ela, é como "treinar o cérebro", dando a mesma atenção que se dá ao corpo. A terapia a ajudou a se conhecer, a curar feridas do passado e a ressignificar experiências, transformando o modo de lidar com as dificuldades. É um processo de autoconhecimento essencial para todos, independentemente dos desafios enfrentados.

A Denúncia e o Combate ao Abuso

Em um ato de coragem, Lais denunciou publicamente ter sofrido abuso por parte de cuidadores. Ela enfatiza que levou tempo para entender que aquilo era um abuso, assim como demorou para reconhecer um abuso sofrido na infância. Lais ressalta a importância de falar sobre o tema para combater culturalmente o abuso, especialmente contra mulheres e minorias. Ela critica a culpabilização da vítima e a falta de suporte estrutural para mulheres que denunciam e tentam sair de situações de violência, muitas vezes presas pela dependência financeira e o medo do futuro.

Novas Paixões: Arte e Escrita

Durante a pandemia, Lais descobriu uma nova paixão: a pintura. Autodidata, ela pinta com a boca, usando a arte como uma ferramenta de expressão. Suas obras variam de representações de cadeirantes a paisagens, mostrando sua liberdade criativa. Além da pintura, Lais está escrevendo um livro em parceria com outra mulher com deficiência, onde planeja compartilhar com detalhes seus sentimentos e experiências mais íntimas.

A Vida de Palestrante e o Futuro

Como palestrante, Lais inspira muitas mulheres com sua história de motivação e superação. Ela reconhece que sua presença em uma cadeira de rodas já é um testemunho de força, mas busca transmitir que "existe vida independente da sua condição". Lais foca em viver o dia a dia, com metas claras como ter um carro novo e finalizar seu livro. Ela relembra a emoção de carregar a tocha olímpica em 2016, vivenciando o calor do público e a honra de representar o país, mesmo que de uma nova perspectiva.

Vaidade e o "Ser Atleta" no Dia a Dia

Lais sempre foi vaidosa, e lidar com as mudanças em seu corpo após o acidente foi um processo difícil. No entanto, ela transformou essa vaidade em cuidado e disciplina, mantendo-se "atleta" em sua essência. Lais frequenta a academia, faz eletroestimulação para ganhar massa muscular e adapta seus treinos, como o de glúteos, para prevenir escaras, mostrando a importância de "dar movimento ao corpo". Sua rotina é gerenciada por uma equipe de quatro cuidadores, funcionando como uma "pequena empresa 24 horas por dia". Apesar da necessidade constante de apoio, Lais valoriza sua liberdade e espaço pessoal, pedindo licença para momentos de privacidade, como ficar com o namorado ou a família.

A trajetória de Lais Souza é um verdadeiro hino à resiliência e ao empoderamento. Sua capacidade de se adaptar, de encontrar novas formas de expressão e de lutar por si e pelos outros a torna uma inspiração para todas as mulheres que buscam força e propósito em suas próprias jornadas. Sua história nos convida a refletir sobre a importância da aceitação, do autoconhecimento e da coragem de usar a própria voz para transformar o mundo à nossa volta.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

Mais de @donasdavoz