Fertilidade Feminina e Reprodução Assistida: Guia Donas da Voz
Desvende os segredos da fertilidade, explore suas opções e empodere-se para tomar decisões conscientes sobre seu futuro reprodutivo.
A maternidade é uma escolha pessoal, mas a sociedade e a falta de informação ainda geram pressão. Neste artigo, Livia Matos e a especialista Natália Milagre desmistificam a fertilidade feminina, o congelamento de óvulos, os tratamentos de reprodução assistida e as opções para casais LGBTQ+ no Brasil, promovendo o empoderamento feminino.
No episódio do Donas da Voz, Livia Matos e a especialista Natália Milagre, Head Comercial de um laboratório de reprodução humana e medicina fetal, mergulham em um tema crucial para a mulher moderna: fertilidade e reprodução assistida. A conversa desmistifica tabus, oferece informação prática e empodera mulheres a fazerem escolhas conscientes sobre sua jornada reprodutiva.
O Dilema da Mulher Moderna: Carreira vs. Maternidade
A pressão social e a falta de informação sobre fertilidade ainda impactam as escolhas das mulheres. Enquanto a medicina foca na contracepção, a discussão sobre a preservação da fertilidade é escassa. Atualmente, mulheres priorizam a carreira e adiam a maternidade, mas o corpo biológico não acompanha essa evolução social.
Natália Milagre explica que, embora existam técnicas estéticas que rejuvenescem a aparência, nossos ovários não acompanham. As taxas de fertilidade diminuem significativamente após os 35 anos, e depois dos 40, a chance de gravidez natural pode ser de apenas 1%. É vital ter acesso a essa informação para tomar decisões.
Preservação da Fertilidade: Uma Escolha Consciente
Uma alternativa para adiar a maternidade é o congelamento de óvulos. Essa técnica permite que a mulher preserve seus gametas em uma idade mais jovem, mantendo a opção de ser mãe no futuro, independentemente da idade biológica. No entanto, o custo no Brasil ainda é alto. Um tratamento de reprodução humana pode variar de R$10.000 a R$30.000.
Para acesso público, existem hospitais como o Hospital Pérola Byington em São Paulo, mas as filas de espera podem chegar a dois anos. É fundamental um planejamento financeiro para quem deseja seguir por esse caminho. O congelamento de óvulos não é uma garantia de sucesso na gravidez, mas aumenta consideravelmente as probabilidades, podendo elevar as chances de 1% para 40% após os 40 anos, se os óvulos foram congelados mais cedo. É como um seguro: você faz para ter a opção, esperando não precisar, mas feliz por tê-la se a necessidade surgir.
O Papel dos Médicos e da Rede de Apoio
Idealmente, os ginecologistas deveriam abordar a preservação da fertilidade desde cedo com suas pacientes. Embora esse movimento esteja crescendo, ainda é importante que a mulher seja proativa, questione e busque informações. O check-up da infertilidade é um ponto de partida, e deve investigar tanto a mulher quanto o homem, desmistificando o tabu da infertilidade masculina, que também é uma realidade.
Os tratamentos de fertilidade trazem impactos psicológicos, físicos e financeiros significativos. A ABRAFE (Associação Brasileira de Fertilidade), uma associação de pacientes, oferece suporte multidisciplinar e gratuito para casais, com profissionais renomados que atuam sem conflito de interesses, garantindo informações e apoio de qualidade. Casos como os de Ivete Sangalo e Karina Bacchi, que usaram a reprodução assistida e o congelamento de óvulos para realizar seus sonhos de maternidade, demonstram a importância de falar abertamente sobre o tema, inspirando outras mulheres.
Fertilidade na Comunidade LGBTQ+
A busca por reprodução assistida por casais da comunidade LGBTQ+ tem crescido. As clínicas especializadas estão cada vez mais preparadas para atender a esse público. Para casais de mulheres, é comum o uso de bancos de sêmen, tanto nacionais quanto internacionais, onde é possível até escolher características específicas do doador. Já para casais de homens, que não possuem útero, a opção inclui a compra de óvulos e a barriga solidária, que no Brasil é diferente da barriga de aluguel comercial, exigindo que a gestante tenha algum vínculo familiar ou de amizade com o casal e que o processo não tenha fins lucrativos. Em ambos os casos, a assessoria jurídica das clínicas é crucial para a segurança do processo.
Informação e Mídias Sociais: Aliados e Armadilhas
As mídias sociais são ferramentas poderosas para disseminar informações sobre fertilidade e reprodução assistida. Elas permitem o acesso a conhecimentos detalhados sobre congelamento de óvulos, doação de gametas, etapas da fertilização *in vitro*** e o trabalho de especialistas. No entanto, é crucial ter cautela com "curas milagrosas" e **buscar sempre fontes confiáveis, como associações médicas (SBRA, SBRH) e clínicas reconhecidas. Além disso, a terapia desempenha um papel fundamental, ajudando as mulheres a lidar com as pressões sociais e a construir a segurança necessária para tomar suas próprias decisões, independentemente da opinião alheia.
A mensagem final é clara: o empoderamento feminino passa pela informação e pela capacidade de fazer escolhas conscientes. Não há certo ou errado na jornada da maternidade, apenas o que é melhor para você. Livia Matos e o Donas da Voz continuam a dar voz a esses temas, incentivando a segurança e a autonomia de cada mulher a ser dona da sua própria vida.