Carreira: Quando o Trabalho Vira Tortura e a Busca por Propósito
Entenda por que a frustração profissional é comum e como reencontrar a paixão pelo que faz.
Muitas mulheres enfrentam a frustração no trabalho, sentindo-se desconectadas de seu propósito. Este artigo, baseado no podcast Donas da Voz, explora as causas e oferece conselhos práticos para superar a insatisfação profissional e alcançar a realização. Descubra como o autoconhecimento e a coragem de mudar podem transformar sua jornada.
No episódio #032 do Donas da Voz, a host Livia Matos recebe as especialistas Claudia Lisboa, mentora de líderes e terapeuta, e Andreza Thans, neuropsicóloga e especialista em trauma, para um bate-papo transformador sobre um tema muito comum: a frustração no trabalho. Inspiradas por uma carta de uma ouvinte que descreve sua jornada profissional como uma "tortura" e a busca infrutífera por significado, elas mergulham nas raízes da insatisfação, nos impactos na saúde mental e nos caminhos para reencontrar a alegria e o propósito na carreira.
As Raízes da Insatisfação Profissional
A sensação de desconexão e vazio no trabalho é um desafio enfrentado por muitas mulheres. Dados do Instituto Gallup revelam que cerca de 75% das pessoas se sentem desengajadas de suas funções, um número assustador que reflete uma realidade dolorosa. Claudia Lisboa aponta que essa insatisfação muitas vezes começa cedo, na escolha da carreira ainda na adolescência. Aos 16 ou 17 anos, sem autoconhecimento ou maturidade, jovens são frequentemente influenciados por pais ou pela sociedade a seguir profissões consideradas “de sucesso” (advocacia, engenharia, medicina), muitas vezes projetando expectativas familiares nos filhos.
Essa pressão ignora as habilidades e talentos genuínos do indivíduo. Como Andreza Thans destaca, historicamente, famílias numerosas “empregavam” os filhos, perpetuando um ciclo onde a escolha profissional era imposta. O resultado? Uma desconexão com o próprio eu, levando a um papel que não reflete a essência da pessoa. “Ela passa a viver desconectada com ela e quando ela chega na vida adulta, ela se vê perdida”, afirma Andreza.
Impactos na Saúde Mental e a Nova Geração
A falta de alinhamento entre o profissional e seu propósito tem consequências graves para a saúde mental. Burnout, depressão e ansiedade são cada vez mais comuns entre aqueles que se sentem presos em carreiras insatisfatórias. Andreza Thans observa que pacientes chegam ao consultório com transtornos emocionais severos, muitas vezes por terem ignorado os sinais de desconforto por anos. A pior coisa é “trabalhar porque eu tenho conta para pagar”, pois isso faz com que o problema emocional seja empurrado com a barriga até se tornar algo muito maior.
A boa notícia, segundo Claudia Lisboa, é que as novas gerações (como a Geração Z) têm uma mentalidade diferente. Eles não querem apenas sobreviver, mas ser felizes trabalhando. “O trabalho faz parte do ser integral. Não existe uma pessoa que trabalha e outra que vai para casa. Somos seres integrais”, reforça Claudia. Isso desafia gestores mais antigos e ressalta a importância de um ambiente de trabalho que promova bem-estar.
Autoconhecimento e a Dinâmica das Carreiras
Nunca é tarde para mudar e buscar o que realmente te faz feliz. Livia Matos compartilha sua própria experiência de crise de carreira e como o autoconhecimento foi crucial. O mercado de trabalho está em constante evolução, e a ideia de uma única carreira para a vida inteira é ultrapassada. Estudos apontam que as pessoas podem ter até três carreiras diferentes ao longo da vida.
O segredo, como explica Claudia, é entender seu perfil comportamental. Se 70% do seu tempo você faz o que ama e 30% não, você está no lugar certo. A importância de líderes de verdade que valorizam e potencializam seus colaboradores, em contraste com “chefes” tóxicos, também é destacada. Andreza Thans reforça a ideia de que a vida legítima acontece na inconstância: “É extremamente importante que a gente tenha na vida da gente várias pausas para a gente se perguntar: ‘Eu tô no lugar certo? Isso que eu tô fazendo é o que eu gosto mesmo?’”
Caminhos Práticos para a Transformação
Para quem se sente em uma "tortura profissional", as especialistas oferecem dicas:
- Busque ajuda: Um processo terapêutico, um coach ou um mentor podem ser o primeiro passo.
- Observe os sinais: O corpo sinaliza o desconforto antes do pensamento. Pequenos sinais de tristeza ou taquicardia ao pensar no trabalho são alertas. Um bom termômetro é o domingo: se ele te traz tristeza pela proximidade da segunda-feira, pode ser um sinal.
- Autoconhecimento: Volte à adolescência, período em que seus dons e propósitos borbulhavam, como sugere Simon Sinek. Identifique seus interesses, hobbies e o que te chamava atenção. Ferramentas como a assessoria de perfil comportamental da Soul Academy podem ajudar a inventariar suas habilidades e comportamentos de sucesso.
- Calma na mudança: Não saia do emprego impulsivamente. Explore outras áreas dentro da mesma empresa, busque flexibilidade ou reveja sua atuação antes de uma decisão drástica.
- “Engate a marcha ré”: Às vezes, é preciso mudar a rota. “Nunca é tarde para eu parar, engatar a minha rezinha com o meu fusquinha e falar: ‘Eu vou pegar outro trajeto’”, afirma Andreza.
A mensagem central do Donas da Voz é de empoderamento: não tenha medo de ser infeliz. Reconhecer a insatisfação é o primeiro passo para a mudança. Lembre-se, você não está sozinha nessa jornada. A comunidade Donas da Voz está aqui para apoiar e inspirar você a buscar uma carreira que não apenas pague as contas, mas que também traga alegria, propósito e realização. Dê o primeiro passo rumo à sua transformação!