Abuso Infantil: Desvendando a Culpa na Criança Vítima
Entenda a complexidade emocional que leva crianças vítimas de abuso a sentirem culpa, mesmo diante de respostas fisiológicas inesperadas.
A especialista Andreza Thans, no Donas da Voz, aborda a dolorosa culpa sentida por crianças vítimas de abuso. Ela explica a confusão mental que surge quando a criança percebe a gravidade do ato, mesmo com respostas fisiológicas que geram prazer. Um olhar essencial sobre a inocência roubada e o fardo injusto que carregam.
No quadro "Sua Voz" do Donas da Voz, a host Livia Matos recebe a especialista Andreza Thans para uma conversa profunda sobre um tema delicado: o sentimento de culpa que assola crianças vítimas de abuso. Andreza desvenda a complexa teia emocional e fisiológica que pode levar uma criança a carregar um fardo injusto, destacando que a vítima jamais é culpada.
A Confusão Mental na Infância
Andreza Thans explica que, na primeira infância (especificamente dos 2 aos 6 anos), a confusão mental é imensa para uma criança que sofre abuso. O que para um adulto é claramente uma violência, para ela pode ser percebido, inicialmente, como uma "brincadeira". Essa percepção distorcida impede que a criança compreenda a gravidade do que está acontecendo, gerando um ambiente de incerteza e ambiguidade.
O Peso Injusto da Culpa e a Fisiologia Autonômica
A partir dos 6 anos, a criança começa a desenvolver a percepção de que a situação "não é mais legal". No entanto, Andreza ressalta um ponto crucial: a fisiologia é autonômica. Mesmo que a criança sinta repulsa ou raiva, o estímulo pode continuar a liberar sensações de prazer, o que a especialista descreve como a criança sendo "erotizada".
Essa dualidade entre a repulsa e a resposta fisiológica positiva causa uma profunda divisão interna. A criança se questiona: "Como assim? Então, eu sou culpada? Aconteceu tudo isso por minha culpa?". É nesse momento que o sentimento de culpa se instala, um fardo pesado e completamente injusto, já que as respostas do corpo não anulam a violência sofrida.
É fundamental compreender que, independentemente de qualquer resposta fisiológica ou percepção inicial, a culpa nunca é da criança. A discussão no Donas da Voz nos lembra da importância de oferecer um ambiente de apoio e compreensão para que essas mulheres possam se libertar de amarras emocionais e encontrar suas vozes, transformando a dor em força.