Flamengo vence Vasco nos bastidores pelo uso do Maracanã
Justiça do Rio de Janeiro nega liminar cruzmaltina para semifinal da Sul-Americana diante do Boca Juniors.
A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de liminar do Vasco para mandar a semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors no Maracanã. A decisão favorece a gestão do consórcio Fla-Flu Serviços. Entenda a análise jurídica e os bastidores do caso.
A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de liminar do Vasco para utilizar o Maracanã na partida contra o Boca Juniors, válida pela semifinal da Copa Sul-Americana. A decisão representa uma vitória do Flamengo e da gestão do consórcio Fla-Flu Serviços nos bastidores.
No vídeo acima, Bernardo Ramos analisa os desdobramentos da disputa jurídica e os argumentos que sustentam a negativa judicial. Afinal, a juíza responsável pelo caso apontou que a Justiça não possui competência para aferir as condições do gramado ou interferir diretamente na gestão operacional, cabendo a palavra final à concessionária responsável pelo estádio.
Validade do contrato e ausência de assinatura
O debate sobre a suposta prerrogativa do Vasco de realizar quatro jogos no Maracanã esbarra em um vício formal. Embora Vasco, Flamengo e Fluminense tenham assinado o termo original, o consórcio Fla-Flu Serviços não assinou o documento em nenhum momento. Desta forma, o contrato não possui validade jurídica para obrigar a liberação da praça esportiva.
Custos de manutenção e modelo de concessão
Para Bernardo, a postura do presidente Pedrinho gera atritos desnecessários ao cogitar transferir partidas para São Januário em tom de retaliação. No último clássico disputado no estádio vascaíno pelo Campeonato Brasileiro, realizado durante a pandemia e sem público, o Flamengo venceu por 2 a 1 de virada. Bernardo avalia que o clube cruzmaltino evitou arcar com os prejuízos e os custos de manutenção do Estádio Mário Filho no passado e agora busca usufruir da estrutura no momento favorável da concessão de 28 anos, que exige investimentos contínuos, a exemplo da necessidade de troca da cobertura relatada pelo jornalista Mauro César no programa Posse de Bola.
A mudança de perfil da administração esportiva
O modelo de concessão privada afasta o estádio do antigo controle estatal exercido pela SUDERJ. Bernardo compara a situação ao caso do Engenhão, erguido com recursos públicos para os Jogos Pan-Americanos e concedido ao Botafogo na gestão do então prefeito César Maia. Evidentemente, com a administração transferida a entes privados que assumem os custos e encargos operacionais, o uso do Maracanã passa a responder a critérios contratuais definidos pela concessionária gestora.