Flamengo pode perder 20% do orçamento com veto a bets
Possível proibição de patrocínios de apostas ameaça contrato milionário da Betano e exigirá manobra da gestão Bap.
O Flamengo pode sofrer um impacto financeiro relevante caso avance a proposta do presidente Lula de proibir a publicidade de casas de apostas no Brasil. O clube deixaria de arrecadar 20% do seu orçamento anual com o contrato da Betano.
O Flamengo tem um desafio orçamentário considerável pela frente caso avance o projeto do presidente Lula que proíbe a propaganda de empresas de apostas no Brasil. De acordo com informações e análise publicadas pelo jornalista Rodrigo Mattos no UOL, a restrição pode retirar 20% do orçamento do clube rubro-negro, atingindo diretamente o contrato de patrocínio master com a Betano.
O vínculo atual com a empresa de apostas vai até 2028 e rende R$ 268 milhões por ano aos cofres do clube. Uma eventual aprovação da medida provocaria um efeito cascata em todo o futebol brasileiro, já que a maioria das equipes do país, a exemplo do Palmeiras, possui casas de apostas estampadas no espaço principal do uniforme.
Alternativas no mercado e credibilidade financeira
Diante do cenário, a diretoria capitaneada pelo presidente Bap precisará buscar soluções comerciais. Segundo Rodrigo Mattos, a Lubrax, patrocinadora histórica que começou a investir no clube em 1984 e atualmente ocupa as costas da camisa, já demonstrou interesse no espaço master. No entanto, o investimento da marca seria consideravelmente menor do que as cifras praticadas pelas bets.
Para Bernardo, a capacidade do departamento de marketing e a credibilidade institucional colocam o Flamengo em posição de vantagem na busca por novas receitas. Mesmo com o Corinthians inserido no mercado consumidor de São Paulo — cidade de maior PIB da América Latina —, Bernardo avalia que a estabilidade financeira e a gestão transparente do clube carioca atraem com mais facilidade marcas de grande porte, em contraste com a crise política e financeira vivida pelo adversário paulista.
No vídeo acima, Bernardo Ramos analisa a dimensão desse impacto financeiro e debate o poder de barganha do Flamengo diante de uma reestruturação obrigatória do mercado publicitário esportivo.
Incoerências no debate sobre restrições publicitárias
Ao abordar a discussão em torno da proibição, Bernardo citou também o cenário da Inglaterra, onde há veto a patrocínios de apostas na parte frontal das camisas, mas ampla abertura para capitais de governos questionados. Ele lembrou que o Newcastle pertence ao fundo de investimento público vinculado ao governo de Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita, enquanto o Manchester City pertence ao emirado de Abu Dhabi, apontando contradições nos critérios adotados pelas ligas internacionais.