Contrato do Maracanã sem assinatura não obriga cessão ao Vasco
Documento que previa quatro jogos do clube cruz-maltino no estádio não tem a firma do consórcio de Flamengo e Fluminense.
O consórcio do Maracanã não assinou o termo que previa a cessão do estádio para quatro partidas do Vasco. Sem a validação formal e amparado por critérios técnicos de conservação do gramado, o Flamengo não tem a obrigação de liberar a arena.
O consórcio gestor do Maracanã não assinou o contrato que previa a possibilidade de o Vasco mandar quatro partidas no estádio, fora os clássicos. A informação, publicada inicialmente pelo GE, confirma que o campo destinado à assinatura do consórcio permaneceu em branco, retirando a validade jurídica do documento para exigir a liberação do local.
No vídeo acima, Bernardo Ramos analisa os desdobramentos contratuais e institucionais do caso, destacando que a gestão do complexo é dividida entre Flamengo, detentor de 65% da concessão, e Fluminense, com 35%. Embora constem assinaturas de representantes dos clubes no documento original, a ausência da firma da concessionária impede que a obrigação seja imposta.
Critérios técnicos e preservação do gramado
Além da pendência formal no documento, Bernardo destaca a existência de prerrogativas técnicas que justificam a recusa. Conforme avaliação trazida por Mauro César no Posse de Bola, a preservação do gramado envolve critérios subjetivos que amparam os concessionários na gestão da praça esportiva.
Com previsão de receber entre 76 e 77 partidas até o encerramento da temporada, o Maracanã enfrenta forte desgaste na sua superfície de jogo. Para Bernardo, a redução no volume de partidas é indispensável para a manutenção das condições do campo, cabendo aos gestores definir a viabilidade de eventos extras.
Disputa judicial e responsabilidades da concessão
A tentativa da diretoria vascaína de buscar na Justiça o direito de atuar no Maracanã, especificamente no duelo contra o Boca Juniors pela semifinal da Copa Sul-Americana, é classificada por Bernardo como uma medida descabida. Ele lembra que a concessão envolve custos elevados, como a futura troca da cobertura do estádio e os prejuízos acumulados durante o período da pandemia, encargos assumidos integralmente pela dupla Fla-Flu na proporção de suas fatias societárias.
Bernardo faz um paralelo com o Engenhão, erguido com recursos públicos para os Jogos Pan-Americanos de 2007 e concedido ao Botafogo de Futebol e Regatas, onde outros clubes não impõem mandos de campo. O comentarista também critica a postura do presidente Pedrinho em relação à intenção de levar os confrontos diretos contra o Flamengo para São Januário, relembrando o clássico realizado no local pelo Campeonato Brasileiro 2020, sob o comando do técnico Dome, vencido pelo time rubro-negro por 2 a 1 com gols de Léo Pereira e Bruno Henrique.