Abel Ferreira cria fake news sobre o Flamengo
Declarações do treinador do Palmeiras sobre a procedência do elenco rubro-negro ignoram a realidade das contratações.
Após o empate contra o Botafogo, Abel Ferreira alegou que o Flamengo tem obrigação de render mais pela origem de seus atletas. A comparação direta entre os investimentos e trajetórias dos dois elencos mostra incoerências na tese do treinador palmeirense.
Abel Ferreira lançou uma fake news sobre o Flamengo em entrevista coletiva após o empate sem gols do Palmeiras contra o Botafogo. O resultado ocorreu no momento em que a equipe paulista perdeu a liderança do Campeonato Brasileiro para o clube rubro-negro. Na entrevista, o técnico palmeirense afirmou que o Flamengo teria a obrigação de render mais em função do currículo de seu treinador e da procedência de seus atletas.
Para Bernardo Ramos, a justificativa apresentada pelo treinador do Palmeiras não se sustenta quando analisada sob a realidade do mercado e o histórico recente dos dois clubes. No vídeo acima, Bernardo detalha como a narrativa de Abel tenta desviar o foco da queda de rendimento do Palmeiras, mesmo após investimentos vultosos realizados pelo clube paulista.
A procedência dos técnicos e o desempenho das equipes
No comando técnico, Leonardo Jardim estava desempregado antes de assumir o Flamengo no dia 4 de março. O profissional havia saído do Cruzeiro por decisão própria na temporada anterior. Para Bernardo, embora Arthur Jorge seja um treinador superior a Abel Ferreira, Leonardo Jardim conseguiu fazer o Flamengo render e assumir a ponta do Brasileirão em pouco tempo, enquanto o Palmeiras apresenta um futebol pobre mesmo sob um trabalho de quase seis anos.
Investimentos e trajetórias individuais dos jogadores
No aspecto financeiro, o Palmeiras gastou cerca de 800 milhões de reais em contratações em 2025. O clube trouxe Vitor Roque por 25 milhões de euros do Barcelona, jogador que passou por Cruzeiro, Athletico Paranaense e Real Betis, além de convocações com Carlo Ancelotti na Seleção, enfrentando inclusive a Tunísia. No entanto, o atacante perdeu rendimento recente sob o comando de Abel. Da mesma forma, Flávio Lopes veio do Lanús, onde atuava ao lado de Papu Gómez, mas raramente teve sequência adequada, salvo em momentos pontuais como diante do Ceará.
Em contrapartida, diversos jogadores do elenco rubro-negro chegaram em baixa ou de mercados secundários antes de atingirem bom nível. Emerson Royal, por exemplo, não tinha espaço na Europa após passagens por Real Betis, Barcelona, Tottenham e Milan — clube que buscou Kyle Walker para a vaga. Varela e Ayrton Lucas vieram do futebol russo, Léo Ortiz estava no Red Bull Bragantino e Léo Pereira no Athletico Paranaense. Jorginho veio do Arsenal, onde era reserva de Thomas Partey, e Pulgar atuava sem grande destaque na Fiorentina. Outros atletas, como Arrascaeta, nunca atuaram na Europa, e Luiz Araújo chegou da MLS.
Para Bernardo, o sucesso recente do Flamengo não deriva de contratações prontas da elite europeia, mas do processo de construção coletiva conduzido anteriormente por Filipe Luís e mantido por Leonardo Jardim. A tentativa de Abel Ferreira de justificar a má fase palmeirense com base no histórico do rival revela-se um discurso descolado dos fatos.